Uma Dieta Para Cada Doença

 

“Você é o que você come”. Será que essa regra vale também para os nossos cãezinhos?

Com certeza! Uma alimentação de qualidade e adequada à espécie é fundamental para a boa saúde dos nossos peludos. Mas, o que dizer daqueles bichinhos que já estão doentes? Será que eles devem continuar com a sua alimentação normal, ou devem mudar alguma coisa?

Depende da doença… Alguns problemas de saúde exigem adaptações na dieta – adaptações estas que podem ser mais ou menos radicais. Vejamos:

Imagem: Safe Bee

Dieta para insuficiência cardíaca

Cães com insuficiência cardíaca devem receber uma alimentação com teores de sódio reduzido, para evitar a sobrecarga cardíaca. Já as proteínas devem ser aumentadas, para que o animal não sofra com a caquexia cardíaca.

A caquexia cardíaca é uma condição em que o animal começa a usar os seus próprios músculos como fonte de energia, emagrecendo drasticamente. Cães que sofram com insuficiência renal e insuficiência cardíaca devem seguir preferencialmente a dieta para pacientes renais.  Leia mais sobre alimentação para cardiopatas aqui.

Dieta para insuficiência renal

Quando um cão tem insuficiência renal, o seu corpo se intoxica com produtos que são gerados pelo próprio organismo durante o processamento das proteínas. Por esta razão, a dieta de cães com insuficiência renal deve ser bem restrita em proteínas. A quantidade de sódio também deve ser reduzida, e os níveis sanguíneos de certos minerais – como o fósforo e o potássio – devem ser monitorados para que ajustes sejam feitos à dieta de acordo com as necessidades de cada animal.

Cães que sofram com insuficiência renal e insuficiência cardíaca devem seguir preferencialmente a dieta para pacientes renais. Leia mais sobre alimentação para nefropatas aqui.

Dieta para doenças hepáticas

Diferentes doenças hepáticas levam os cães a terem necessidades nutricionais diferentes. De forma geral, é interessante que a dieta do cão hepatopata (com problemas no fígado) tenha uma concentração energética maior. Isso pode ser obtido pela adição de gorduras, que devem representar a maior parcela das calorias da dieta – exceto se o animal tiver hiperlipidemia ou esteatorreia. As proteínas devem ser mantidas em níveis normais ou elevados, devendo ser restritas apenas em casos mais graves (encefalopatia hepática). A suplementação com vitaminas e minerais pode ser necessária. Leia mais sobre a alimentação de hepatopatas aqui.

Dieta para diabetes

Na diabete, o cão tem dificuldade para manter os níveis de açúcar no sangue dentro de limites aceitáveis. Para ajudá-lo nesta missão, devemos fornecer a ele uma alimentação com menos grãos e carboidratos, e mais proteínas. É importante que a dieta também seja rica em fibras, que ajudam na regulação da glicemia e na manutenção do peso, caso o animal esteja obeso. Leia mais sobre a alimentação de cães diabéticos aqui.

Dieta para o câncer

Cães que tenham com câncer frequentemente sofrem com uma condição chamada caquexia. A caquexia é uma forma de emagrecimento rápida e patológica, em que o corpo consome rapidamente todas as suas reservas de energia, inclusive tecidos musculares. Para contornar a situação, é recomendável que a alimentação tenha alta concentração calórica, proveniente principalmente das gorduras, e níveis elevados de proteínas. A suplementação vitamínica e mineral também pode ser necessária. Leia mais sobre a caquexia aqui.

Na prática: o que fazer?

Para a maioria dos problemas de saúde caninos que exigem adaptações na dieta, já existem rações específicas. Mas a dieta caseira também é uma opção – não apenas viável, mas, por vezes, até mesmo mais recomendável do que a própria ração. Isso porque a dieta caseira pode ser adaptada às necessidades individuais de cada cão, ao invés de ser baseada em “médias”. Além disso, os cães gostam mais!

É claro que “dieta caseira” não é sinônimo de “restos de comida”. Dar uma alimentação natural ao cão exige dedicação, pois o preparo dos alimentos deve ser feito especificamente para ele – especialmente se ele estiver doente! Para dar uma boa alimentação para o seu cão – saudável ou doente – procure um nutricionista veterinário. Ele irá desenvolver um cardápio para o seu cão, com todos os ingredientes e quantidades necessárias para suprir as suas necessidades.

Autora: Bárbara Gomiero

Formada em Medicina Veterinária pela UFPR em 2006, especialista em Clínica de Pequenos Animais. Apaixonada por cães, tem um amor especial pelos cães idosos, e trabalha para levar conhecimento e informação aos seus tutores, para que esses sejam capazes de proporcionar uma excelente qualidade de vida nessa fase tão delicada de seus cãezinhos.