O seu cão costumava ser agitado, mas agora, só quer saber de dormir?

Saiba que esta mudança no comportamento pode ter várias causas diferentes, inclusive algumas doenças. Veja algumas causas e soluções possíveis:

Tédio ou frustração: é um mecanismo comum entre os cães. Os cães são animais migratórios, na natureza eles se exercitam quase o dia todo. Quando ficam em casa, sem exercícios, e sem terem o que fazer, eles podem responder basicamente de duas maneiras: eles podem se tornar destrutivos (podem roer objetos da casa, urinar ou defecar em locais inapropriados, e até mesmo se automutilar) e até inconvenientes (ficar pulando nas pessoas, latindo para chamar a atenção), ou eles vão dormir. Dormindo, o tempo passa, e eles não precisam lidar com a frustração.  É mais comum os cães mais jovens reagirem à frustração da primeira forma, e os mais velhos, dormindo.

Se o cão está entediado ou frustrado, é preciso oferecer a ele novas atividades. Um passeio diário vai ajudar a despertá-lo e mantê-lo mais alerta (claro que, se ele cansar no passeio, também vai querer tirar uma sonequinha depois para relaxar, mas aí é um sono mais saudável). Dar um pouco mais de atenção a ele, fazer brincadeiras, também pode ajudar. Fora isso, para quem tem um idosinho sociável, uma companhia canina mais jovem pode fazer maravilhas! O próprio Cesar Millan usou esta estratégia com o seu pit bull Daddy, ao adotar o jovem – e também pit bull – Junior (veja o artigo). Quem vos escreve também já testou a estratégia, e aprovou.

Os cães jovens gostam de brincar, correr, e aprontar. Ao fazer isso, eles estimulam o mais velho a participar das brincadeiras, e se tornar mais ativo. No início, pode ser que o cão mais velho pareça desaprovar a presença do filhote, que está tirando o seu sossego. É comum nos primeiros dias ele querer se afastar do mais jovem, para procurar um canto tranquilo para voltar a dormir. Quando ele finalmente “cede” (pois os jovens são bem mais persistentes), ele acaba gostando da brincadeira e se torna um novo cão.

Idade: sim, os cães mais velhos são mais acomodados. Eles curtem uma boa soneca ao lado do seu amado tutor, e um gostoso banho de sol. O problema é que, se estiver dormindo demais, também é sinal de que algo deve mudar. As mesmas dicas usadas para os cães entediados podem funcionar também para os acomodados: passeios diários, atividades junto com os tutores, e um cão mais jovem ajudam a rejuvenescê-lo e mantê-lo mais feliz e desperto.

Insuficiência cardíaca: é quando o problema deixa de ser puramente comportamental, e passa a envolver também a saúde do cão. A insuficiência cardíaca de modo geral deixa os cães cansados e sem energia. Como o coração não consegue bombear sangue o suficiente para o corpo todo, é criado um mecanismo de defesa, de economia de energia. Ao dormir, o corpo do cão consegue dar mais prioridade à manutenção dos órgãos vitais – como coração, fígado, rins e cérebro -, sem precisar “desperdiçar” sangue e oxigênio em partes “menos importantes”, como os músculos. A insuficiência cardíaca é muito comum em cães idosos, mas pode ser diferente conforme a raça e o porte do animal. Os cães de pequeno porte, por exemplo, costumam ter Insuficiência Cardíaca Esquerda (ver artigo); já os grandes, como os Boxers, geralmente têm Insuficiência Cardíaca Direita.

O diagnóstico deste problema é feito pelo médico veterinário com base nos sinais apresentados pelo animal, como ascite (na ICC Direita), tosse (mais comum na ICC esquerda), e cansaço (em ambos os tipos), no exame clínico, e também em exames complementares, como ecocardiograma (ICC esquerda), eletrocardiograma (ICC direita), e radiografias. Feito o diagnóstico, é iniciado o tratamento com medicamentos e adaptações na dieta do animal. Quando bem compensado, o cão cardiopata pode voltar a se tornar alerta e ativo.

Hipotireoidismo: esta doença, que é bastante comum em certas raças, como o Cocker Spaniel, o Doberman e Golden Retriever, torna o metabolismo do cão mais lento, de modo que o corpo todo passa a economizar energia. Junto com o sono excessivo, o hipotireoidismo pode vir também acompanhado por problemas de pele (podem se formar falhas de pelos de forma simétrica, dos dois lados do corpo) e perda de apetite. Alguns cães que eram agressivos podem se tornar mais dóceis, simplesmente por não terem disposição. Ao contrário do senso comum, o cão com hipotireoidismo não necessariamente apresenta obesidade. Um estudo constatou que cerca de 40% dos cães com esta doença são obesos – o que significa, portanto, que mais da metade dos animais afetados não fica acima do peso. O diagnóstico é feito pelo veterinário através do exame clínico, em que observa os sinais da doença, associado a exames de sangue. O hipotireoidismo pode ser causado por tumores na tireoide ou na hipófise, por problemas hereditários, e às vezes, por causas desconhecidas. O tratamento é possível, e baseia-se na reposição hormonal, podendo ou não ser associado ao tratamento (cirúrgico ou medicamentoso) da causa de base, quando conhecida. Com o sucesso do tratamento, que é contínuo, o cão volta a ter o seu comportamento normal.

Outras doenças: Além das insuficiências cardíacas e do hipotireoidismo, que são doenças cujos sinais clássicos incluem o cansaço e sono excessivo, cabe lembrar que qualquer problema que provoque dor ou mal estar no animal fará com que ele se torne menos ativo. Por esta razão, preste sempre atenção ao comportamento do seu bichinho: se ele começar a ficar parado demais, ou dormindo o dia todo, ele pode estar querendo te dizer que não está bem.