Dedicatória

Shana no colo - dedicatória

 

Este site é dedicado à memória da minha linda cadela Shana, que atravessou a Ponte do Arco-Íris em 14 de fevereiro de 2011, aos 15 anos de idade.

A Shana entrou para a minha vida quando eu tinha apenas 10 anos, e foi na realidade a forma que meus pais acharam na época para compensar o quanto eu havia ficado triste após eles terem doado o nosso cãozinho SRD Max – ainda filhote – por ele não ter aprendido a fazer as necessidades no lugar certo dentro do apartamento. A verdade é que, naquele tempo, nenhum de nós sabia como educar um cachorro.

Nunca me esqueci do momento em que eles vieram me contar que eu poderia voltar a ter um cãozinho! Foi um dos dias mais felizes da minha vida… Como criança decidida que eu era, eu já sabia exatamente o que queria: um poodle branco – digo, um poodle branca. A escolha do nome – no mínimo, curiosa – foi feita ainda antes da escolha da própria cadela, e foi em homenagem a um bicho de pelúcia de uma prima. Anos mais tarde, uma amiga japonesa me contou o que o nome dela significava na sua língua nativa: criança. Achei lindo e apropriado.

Meus pais me levaram a uma feira de filhotes tradicional de Curitiba, para que eu pudesse escolher o meu novo bichinho. Andamos, andamos, e nada de encontrar a poodle branca que eu queria. Já pelo final da feira, lá estava ela: o último filhote da ninhada, minúscula, e… Completamente abricó! Foi amor à primeira vista, já estava decidido.

A Shana foi um cão muito fácil de educar, mesmo para uma criança de 10 anos que nunca tinha feito isso na vida. Aprendeu rapidamente a fazer as necessidades no lugar certo, e andava na coleira como uma dama; como nada na vida é perfeito, provavelmente pela nossa inexperiência em criar cães, ela se tornou um tanto quanto reservada, talvez até geniosa – não gostava muito de pessoas estranhas e nem de outros cachorros. Também não gostava que lhe dessem ordens, do tipo “saia daqui!”, mas obedecia prontamente a um “com licença”. Depois que alguém ganhava a confiança dela, se tornava extremamente dócil e carinhosa.

Os anos foram passando, e ela me ensinou a amar e compreender os cães. Sempre gostei muito de cães, mas ela me mostrou como se formava um verdadeiro laço entre um humano e um animal. Seus passinhos me seguindo pela casa, seu olhar alegre, a dancinha que fazia para pedir comida, estavam sempre lá para me lembrar da sua mais do que bem-vinda presença. Ela esteve ao meu lado por tempos fáceis e difíceis; acompanhou minha vida escolar, a faculdade de veterinária, a formatura, o casamento, a pós-graduação. Na foto que coloquei no início do artigo, tirada em fevereiro de 2010, comemorávamos o sucesso da apresentação da minha monografia de final de curso de pós-graduação. A posição em que eu a segurava era a única em que ela podia ficar quando no colo de alguém, para que não começasse a tossir por conta dos problemas cardíacos. Talvez por isso, no final da sua vidinha passei a ser única pessoa com coragem de pegá-la no colo.

Aos 9 anos de idade, ela ganhou um companheiro inusitado – o pit bull Paxá, meu anjinho que completou 7 anos neste mês de novembro, e que também é forte fonte de inspiração para mim. Como nunca gostou muito de cachorros, no começo ela ficou ofendida com a presença dele, e passou mais de um mês sem falar comigo. Depois, acabou se conformando, até que se tornaram bons amigos, ótimos parceiros de banho de sol.

Ainda lembro do último banho que dei nela… Seus olhos tristes já não tinham o seu antigo brilho, seus movimentos eram lentos e fracos. O seu corpinho estava claramente se despedindo desse mundo… Dei nela um bom banho, como ela gostava, e coloquei seus lacinhos mais bonitos – pois sabia que os outros que eu havia comprado provavelmente jamais seriam usados -, e a deixei bem cheirosinha, para dar um último abraço. Ela viveu mais um mês depois disso. Os últimos dois anos de vida da Shana foram bem difíceis para ela e para mim… me deram muitas despesas e muito trabalho… Mas o que, para algumas pessoas poderia ser considerado um fardo, eu considero uma honra. Uma honra, ter tido a oportunidade de ajudar um animal tão maravilhoso quanto ela a viver um pouco mais, a ter conforto e paz nos seus últimos momentos. Depois de passar por tudo isso, nossos laços apenas se tornaram ainda mais fortes, e me inspiraram a ajudar outras pessoas que estivessem passando pela mesma situação.

Em sua partida, ela levou junto um pedaço do meu coração… Mas, para aqueles que dizem que não voltarão a ter um animal de estimação porque dói muito quando eles se vão, eu digo: valeu a pena, e eu faria tudo de novo. Várias vezes. Como se arrepender de ter tido uma amiga tão leal e companheira?

Logo após a morte da minha pequena, li uma mensagem, cujo autor eu desconheço, mas que muito me marcou: “Eu me dei conta de que, cada vez que um dos meus cachorros parte, ele leva um pedaço do meu coração com ele. Cada vez que um cachorro entra na minha vida, ele me abençoa com um pedaço do coração dele. Se eu tiver uma vida bem longa, com sorte, todas as partes do meu coração serão de cachorro e então eu me tornarei tão generoso e cheio de amor como eles”.

Paxa e Cookie

E assim abri as portas do meu coração para a (não tão) pequena Cookie (SRD), que é a nova companheira do meu querido Paxá. Nem ela, nem qualquer outro cão, jamais conseguirão ocupar o lugar da Shana para mim; mas certamente, cada um tem e terá o seu próprio lugarzinho especial!