Como Lidar com a Proximidade da Morte do Seu Cão - Meu Cão Velhinho

Como Lidar com a Proximidade da Morte do Seu Cão

Qualquer pessoa que tenha um cão já passou, ou terá que passar por isso um dia. E a experiência pode ser tão traumática que faz com que muitos tutores afirmem que jamais voltarão a ter um cão, apenas para não terem que passar por isso novamente. A morte é inevitável. E, como os cães têm uma expectativa de vida menor do que a nossa, as chances são que precisaremos, eventualmente, ver os nossos companheiros caninos partirem.

Enquanto os nossos cães são apenas filhotes, este fato parece ser simplesmente ignorado, mas, à medida em que eles envelhecem, a realidade da morte próxima começa a nos espreitar. Mesmo velhinhos saudáveis são motivo de preocupação. Quando se tem um cão de 11 anos, e a expectativa média de vida para a raça dele é de 12 anos, por mais que ele pareça bem, os seus tutores começam a se questionar: “por quanto tempo ele vai continuar bem?”, ou ainda, “será que, daqui a um ano, ele ainda estará vivo?”.

Mas, até este momento, é tudo especulação. Apenas a nossa mania de tentar prever tragédias. Nós sabemos que “expectativas médias” são apenas médias, e que um cão pode viver além daquele período. Até que vem o “tapa na cara”: um diagnóstico de uma doença grave e/ou dolorosa para a qual não há cura. A morte está se aproximando…

É natural se sentir triste, revoltado, e impotente diante desta situação. Mas também é preciso se lembrar de que, apesar de tudo, o seu cão continua lá, contando com você. E que você precisa se cuidar para conseguir cuidar bem dele. Veja a seguir algumas dicas para manter a sua saúde emocional enquanto cuida do seu cão terminal:

1. Informe-se.

Informação é poder. Encare o problema de frente, e busque saber tudo sobre a doença que aflige o seu cão. Procure compreender o que está acontecendo com ele, quais as opções de tratamento, e o que pode fazer para tornar a vida dele (e a sua) melhor. Se tiver dúvidas, pergunte ao seu médico veterinário, e não hesite em buscar uma segunda opinião caso esteja se sentindo inseguro.

O Meu Cão Velhinho vem publicando artigos sobre a saúde e bem-estar de cães idosos há mais de 5 anos, provavelmente você conseguirá encontrar alguma informação para ajudá-lo! E estamos sempre abertos a responder perguntas e receber sugestões de temas.

Imagem: Safe Bee

2. Escolha entre “tratamento” e “cuidados paliativos”

Esta decisão é difícil, quase tanto quanto a própria eutanásia. Muitas doenças podem ser tratadas, embora a chance efetiva de cura nem sempre seja das melhores. Um exemplo disso é o câncer. Muitos tipos de câncer podem ser tratados com cirurgias, quimioterapia, radioterapia, e outros recursos. Então, vem a questão: vale a pena tratar? o tratamento vai realmente ajudar, ou só trará mais sofrimento?

Já debatemos especificamente a questão do tratamento do câncer neste artigo, e existem várias outras doenças que podem suscitar este tipo de dúvida. Conforme o caso, seja porque o cão já está muito debilitado, seja porque o tutor considera que o tratamento trará  muito sofrimento, ou até mesmo por uma questão financeira, pode ser que se opte por não tratar a doença. Mas não tratar a doença não significa “abandonar” o seu cão e deixá-lo sofrer.

Existe uma alternativa, que são os cuidados paliativos. Estes cuidados não se prestam a curar doenças, mas sim a melhorar a qualidade de vida de um paciente terminal. Normalmente, eles envolvem a redução da dor e a diminuição de outros desconfortos que possam afligir o paciente, como vômitos e diarreia. Converse com o seu veterinário, com os seus amigos e parentes, e decida. Tratar ou cuidar?

3. Peça ajuda

Cuidar de um animal doente pode ser exaustivo, tanto física quanto psicologicamente. Alguns tutores podem chegar até mesmo a ter problemas de saúde e sintomas de “burnout” (veja o artigo), tamanha a sobrecarga emocional. Não hesite em pedir ajuda a qualquer pessoa que esteja disponível: o seu parceiro(a), pais, filhos (desde que sejam adultos, ou maduros o suficiente para ajudar a cuidar do pet), vizinhos, ou amigos. Esta ajuda pode ser qualquer coisa que lhe permita ter um pouco de tempo para cuidar de si: a pessoa pode levar o cão para passear, ou ela pode ficar com ele enquanto você sai, caso ele não possa ficar sozinho; ou, ainda, a outra pessoa pode ajudar a cuidar da higiene do ambiente ou do próprio cão, a dar os medicamentos na hora certa, etc.

Se não tiver um amigo ou parente que se disponha a ajudá-lo, considere contratar ajuda. Um pet sitter, um enfermeiro, ou um auxiliar veterinário que possa ir à sua casa pode ser muito útil! Além de liberar tempo para você, estas pessoas normalmente sabem lidar bem com cães e reconhecer eventuais emergências.

4. Busque apoio emocional

Não é nada fácil passar por tudo isso sozinho. Lidar com a proximidade morte de um animal querido pode ser tão doloroso quanto perder um parente ou amigo humano. Para algumas pessoas, até mais.

Apesar disso, muitos tutores se sentem incompreendidos em sua dor. Julgados por outras pessoas que dizem que “é apenas um cachorro”, e que “depois você compra outro”. Não perca tempo tentando se justificar. Procure alguém com quem possa conversar abertamente sobre o problema, alguém que entenda o que você está passando. Você conhece alguém que ama cães? então, é essa a pessoa certa.

Um ombro amigo pode ajudar.
Imagem: Debtround

Na internet, também é possível encontrar grupos de apoio. Na página do Facebook do Meu Cão Velhinho, por exemplo, há diversos tutores que compartilham as suas experiências e sentimentos. Isso pode ajudá-lo a se sentir melhor.

5. Esteja presente

Você está sofrendo com um luto antecipado, pela morte do seu cão que ainda não ocorreu. É natural e totalmente compreensível se sentir assim, mas lembre-se: o seu cachorro ainda está vivo. Ele vive no presente, e, apesar de que talvez esteja sofrendo por conta de alguma doença, não está muito preocupado com a proximidade da própria morte. Ele está preocupado, sim, em receber carinho e atenção do seu tutor. É isso o que faz com que ele se sinta melhor.

Tente deixar de lado os seus medos e sentimentos negativos, e lembre-se de curtir o momento junto com o seu cão. Faça carinho, aproveite para estar com ele, brinque e leve para passear. Se ele não conseguir caminhar, um carrinho de mão pode ajudá-lo a transportar o peludo num passeio pela vizinhança. Sentir novos cheiros, ver coisas diferentes, e ouvir sons de fora de casa farão muito bem a ele (veja minhas dicas para cães que não andam aqui).

6. Lembre-se de que você sempre fez, e fará, o melhor pelo seu cão

Ao receber um diagnóstico de doença terminal, ou ao perceber que o seu cão está sofrendo com alguma condição dolorosa e incurável, é fácil o tutor se culpar. “O que eu fiz de errado?”, “Será que o meu cão teria câncer, se eu tivesse dado a ele outro tipo de alimentação?”, “Será que ele tem artrose porque eu o levava para correr e saltar?”, e assim por diante.

Esqueça isso tudo. Você ama o seu cão, e tudo o que fez até hoje, foi pensando no seu bem. Lembre-se de todos os cuidados que já teve com ele – das vezes que o levou para passear, para viajar, que levou ao veterinário, deu medicamentos, ou que simplesmente lhe deu amor e carinho. Você pode pensar que talvez pudesse ter sido um melhor tutor para o seu cão, e que agora é tarde demais para “consertar”.

Imagem: Fox 8

Não se arrependa. Viva no presente, assim como o seu cão. Dê a ele os cuidados que ele merece, e, se achar que poderia fazer algo melhor, faça daqui para frente. O seu cão sempre te amou, e continua te amando. E, lembre-se: qualquer decisão tomada com amor não pode estar errada.

Autora: Bárbara Gomiero

Formada em Medicina Veterinária pela UFPR em 2006, especialista em Clínica de Pequenos Animais. Apaixonada por cães, tem um amor especial pelos cães idosos, e trabalha para levar conhecimento e informação aos seus tutores, para que esses sejam capazes de proporcionar uma excelente qualidade de vida nessa fase tão delicada de seus cãezinhos.