Alimentando cães diabéticos

Se o seu cão é diabético, você já deve saber da importância de uma dieta apropriada para o sucesso do tratamento dele. Sem uma alimentação consistente e um bom controle de peso, o animal terá dificuldades para manter os níveis de glicose dentro de níveis aceitáveis – e o veterinário terá dificuldade para determinar a dose ideal de insulina para aquele paciente.

cão com osso

O principal objetivo do tratamento da diabete é a manutenção da glicose sanguínea dentro de níveis aceitáveis. O uso da insulina é necessário, porém insuficiente para o atingimento de tal meta: a glicose tende a flutuar bastante, a depender do tipo de alimento ingerido. Basta refletirmos sobre o que aumentaria mais o nosso nível de glicose: uma barrinha de chocolate ao leite ou uma folha de alface? Logicamente, uma folha de alface não elevaria os nossos níveis de glicose de forma significativa – e, da mesma forma, no caso de uma pessoa diabética, dificilmente ela precisaria de uma dose de insulina após comê-la. Já o chocolate eleva rapidamente os nossos níveis de açúcar no sangue, de tal modo que este tipo de alimento chega a ser proibido (em suas versões “normais”) para pessoas diabéticas. O chocolate, portanto, tem um alto índice glicêmico (aumenta a glicemia muito rapidamente), enquanto a alface tem um baixo índice glicêmico.

É claro, ninguém vive só de alface, nem de chocolate. Muito menos os nossos cães. Mas, ao desenvolver uma dieta para eles, precisamos pensar: quais alimentos aumentam mais ou menos a sua glicemia? de que alimentos ele precisa para ficar bem nutrido? e, finalmente: como fazer com que ele atinja ou mantenha o seu peso ideal?

Além do índice glicêmico dos alimentos escolhidos, o controle do peso também é essencial para o tratamento da diabete. Apesar de que, no caso dos cães, a obesidade não costuma ser a causa das diabetes (em geral, as diabetes em cães são causadas por fatores genéticos, por pancreatites, ou algumas outras condições), um animal acima do peso tem mais dificuldade para manter a sua glicemia dentro de padrões aceitáveis – portanto, ele tem melhores chances de melhora se o seu peso estiver adequado. Já um cão muito magro deve ganhar peso para se manter saudável.

Uma dieta ideal para cães diabéticos deve conter altos níveis de proteínas de boa qualidade, sendo preferíveis as fontes de origem animal (carne de frango, cordeiro, etc.) às vegetais (feijão, soja, glúten de milho). Ela também precisa ter alguma quantidade de gordura e de carboidratos com baixo índice glicêmico, com especial destaque para as fibras, que ajudam a manter a glicemia estável e a sensação de saciedade.

Se o cão estiver acima do peso, dietas para cães obesos suprem bem estas necessidades. Existem também rações específicas para cães diabéticos obesos. Os cães com peso normal podem receber rações “light” (que visam à manutenção do peso, e não ao emagrecimento, diferente das dietas do tipo “obesity”) ou específicas para cães diabéticos. Já no caso de cães muito magros, é possível usar uma dieta “normal” para cães adultos, desde que seja composta por ingredientes com baixo índice glicêmico e tenha teores razoáveis de fibras. Neste caso, prefira as rações que utilizem mais proteínas animais e menos grãos.

Livre de grãos - diabéticos

Imagem: Integra Naturopathics

A dieta caseira, e mesmo a alimentação natural, também podem ser excelentes alternativas para o cão diabético. Como sempre, ressaltamos que dieta caseira não é sinônimo de “restos de comida”, especialmente quando falamos de um animal com este tipo de doença. O cardápio deve ser prescrito pelo seu médico veterinário ou nutricionista veterinário, e preparado especialmente para o seu cão da forma e nas proporções recomendadas. É possível preparar grandes quantidades de alimento e mantê-los congelados em porções individuais para economizar tempo!

Um último ponto importante em relação à dieta do cão diabético é em relação à consistência: a alimentação do seu animal deve ser consistente quanto aos horários, quantidades, e composição. Os horários da alimentação devem ser coordenados com os da(s) aplicação(es) de insulina, da seguinte maneira:

  • Se o cão usa insulina uma vez ao dia: A primeira refeição deve ser fornecida antes da injeção de insulina pela manhã (se o cão não comer, não aplique!). A segunda refeição será aproximadamente 6 a 8 horas depois.

  • Se o cão usa insulina duas vezes ao dia: as duas refeições devem ser fornecidas com 12 horas de diferença, sempre antes da injeção. Se ele não comer, não aplique. Se comer pouco, a dose pode ser reduzida de acordo com a orientação do seu médico veterinário.

Se os horários, quantidades, e componentes da alimentação do cão ficarem variando demais dia após dia, a tendência é que a sua glicemia também varie demais, com consequências catastróficas para a sua saúde. Por isso, siga sempre a orientação do seu médico veterinário e seja consistente. O seu peludo agradece!

Autora: Bárbara Gomiero

Formada em Medicina Veterinária pela UFPR em 2006, especialista em Clínica de Pequenos Animais. Apaixonada por cães, tem um amor especial pelos cães idosos, e trabalha para levar conhecimento e informação aos seus tutores, para que esses sejam capazes de proporcionar uma excelente qualidade de vida nessa fase tão delicada de seus cãezinhos.

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