Saúde dos Machos – Parte 3 (cistos, abscessos e tumores de próstata)

Finalmente, chegamos à terceira e última parte do nosso artigo sobre a saúde dos machos! Os assuntos de hoje são: cistos e abscessos prostáticos, e tumores de próstata.

Cistos e Abscessos Prostáticos

Os cistos são um tipo de “bolsa” que se forma em um órgão, que pode ser cheio de líquido, ar, pus, sangue, ou outro fluido qualquer. Na próstata, podem se formar dois principais tipos de cistos: os de retenção e os paraprostáticos.

Cocker com dor - tumor de próstata

Imagem: A Pet’s Life

Os cistos de retenção são causados pelo acúmulo de secreções da própria próstata, e ocorrem devido à obstrução dos ductos que deveriam levar estas secreções para fora do órgão. Como as secreções não conseguem sair, elas ficam acumuladas ali, dentro de “bolsas”, que são os cistos. Os cistos paraprostáticos não se comunicam com a próstata em si (não têm ductos para “escoar” as secreções), e geralmente são congênitos (o cão já nasce com eles). Conforme o tamanho e a quantidade de cistos, a próstata pode ter o seu tamanho, formato e textura alterados. Os sinais são semelhantes aos da HPB (Hiperplasia Prostática Benigna): dificuldade para defecar (tenesmo), presença de sangue na urina (hematúria), e corrimento uretral (secreção transparente ou hemorrágica). A obstrução do fluxo urinário é rara em cães, mas pode acontecer. É recomendável a drenagem cirúrgica dos cistos, acompanhada ou não da castração.

Abscessos são o acúmulo de pus em uma cavidade que se forma em um tecido do corpo. A cavidade é delimitada por uma membrana, chamada “membrana piogênica”. Na próstata, os abscessos geralmente resultam de uma infecção bacteriana que começou no trato urinário, e podem estar relacionados a uma prostatite. e à contaminação de eventuais cistos que o animal possa ter.

O cão com abscesso prostático pode ter dificuldade para defecar e/ou urinar, para se locomover, pode ficar letárgico e apresentar corrimento uretral purulento ou hemorrágico. Estes sinais dependem principalmente do quanto a próstata aumentou como consequência do(s) abscesso(s). Se o(s) abscesso(s) se romper(em), o animal pode vomitar, e pode ter febre, dor, e sepse (infecção generalizada). A ultrassonografia pode ajudar a identificar o problema, e a drenagem cirúrgica é recomendável, já que o simples uso de antibióticos não é totalmente eficaz.

Tumores de próstata

À exceção dos humanos, os cães são os únicos animais que podem desenvolver câncer de próstata espontaneamente. Os carcinomas formam metástases rapidamente, afetando não só a próstata, mas também os linfonodos, pulmões, ossos, bexiga, cólon, fígado, e outros órgãos. Quando as metástases ocorrem nos ossos, pode haver dor e fraturas patológicas (“espontâneas”).

Cão idoso com dor

Imagem: Pup Love

Os sinais de tumores de próstata podem incluir emagrecimento, claudicação (animal começa a mancar), fraqueza, dificuldade para urinar e/ou defecar, aumento da ingestão de água, presença de sangue na urina, edema de membros pélvicos (“patas de trás”), e dores abdominais ou lombares. Se houver metástase pulmonar, o cão pode ter dificuldade para respirar.

Exames por imagem – como radiografias, ultrassonografias e ressonância magnética, podem ser sugestivas do problema, porém a confirmação do diagnóstico depende de uma punção ou biopsia da próstata. Na maioria das vezes, o diagnóstico é tardio, o que dificulta o tratamento e reduz significativamente as suas chances de sucesso.

Diferente de humanos, que podem ter cânceres prostáticos microscópicos de baixa malignidade e crescimento lento, nos cães esta doença é rápida e agressiva. A radioterapia parece ajudar a diminuir o tamanho da próstata, mas não aumenta a sobrevida dos cães. A quimioterapia também não tem tido grandes índices de sucesso, e a maioria dos animais acaba falecendo dias após o diagnóstico. A castração pode retardar temporariamente o crescimento do tumor, e, se a doença for identificada cedo, a retirada da próstata pode curar.

Felizmente, o câncer de próstata em cães é considerado raro, representando apenas 5% das afecções de próstata. Os cães castrados parecem ser mais afetados do que os não castrados, sendo que a doença é mais comum nos animais idosos do que nos jovens. Os Doberman Pinschers, Pastores de Shetland e Beagles estão entre as raças com maior risco de desenvolverem a doença, enquanto os Dachshund, Poodle Miniatura e Cocker Spaniel parecem ter menor risco.

Para saber mais sobre problemas de próstata em cães, leia os outros artigos desta série

Autora: Bárbara Gomiero

Formada em Medicina Veterinária pela UFPR em 2006, especialista em Clínica de Pequenos Animais. Apaixonada por cães, tem um amor especial pelos cães idosos, e trabalha para levar conhecimento e informação aos seus tutores, para que esses sejam capazes de proporcionar uma excelente qualidade de vida nessa fase tão delicada de seus cãezinhos.