julho 10

A Dieta nas Doenças Hepáticas

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A dieta do cão hepatopata

O fígado é um órgão muito importante para o bom funcionamento do organismo, sendo responsável por cerca de 1.500 funções bioquímicas, que incluem, entre outros, um papel fundamental na digestão, absorção e aproveitamento dos nutrientes. As hepatopatias (doenças do fígado) crônicas (de longo prazo) muitas vezes levam à caquexia e desnutrição devido à diminuição do apetite, má digestão e absorção dos nutrientes, aumento das necessidades energéticas, e até mesmo à restrição indevida de proteínas.

beagle idoso - hepatopata

O manejo da dieta é um dos aspectos mais importantes a ser observado no tratamento das hepatopatias, mas também é um assunto bem complexo. Alguns pontos-chave, como por exemplo, os teores de proteínas e de gorduras, ainda são objeto de bastante controvérsia entre os estudiosos do assunto. Também não existe uma única formulação que funcione bem para todos os tipos de doenças hepáticas, já que, a depender do quadro do paciente, são necessárias adaptações.

PROTEÍNAS

A maioria dos autores concorda que a restrição de proteínas deve ser a menor possível, e que ela normalmente não é necessária a não ser que o cão esteja apresentando um quadro de encefalopatia hepática. Em outras palavras: para a maioria dos cães com doenças de fígado, um alto teor de proteínas de boa qualidade é benéfica, e ajuda a prevenir a caquexia e a ascite (“barriga d’água”); por outro lado, em algumas condições específicas (encefalopatia hepática), pode ser necessário reduzir o teor de proteínas na dieta. Em todos os casos, a fonte de proteína deve ser de alta qualidade e fácil digestão: carnes brancas, como frango e peixe, e mesmo ovo, são as melhores opções. As carnes vermelhas devem ser evitadas.

prato com pedaços de frango

ENERGIA

Como já mencionamos no início do texto, os pacientes com doenças hepáticas sofrem com a perda de peso, podendo chegar à caquexia. Uma dieta com alta concentração energética é recomendável, para que o cão consiga ingerir uma quantidade razoável de calorias mesmo comendo pouco, já que o seu apetite geralmente está reduzido. Neste aspecto, as gorduras apresentam dois grandes benefícios: elas não apenas aumentam a densidade energética (mais calorias por grama de alimento), como também tornam o alimento mais palatável (mais gostoso), e, portanto, mais atrativo para o cão.

A proporção em que as gorduras devem participar da dieta é ponto de controvérsia entre os autores. Alguns autores afirmam que, à exceção dos pacientes que apresentam esteatorréia (fezes com muitas gorduras) ou hiperlipidemia (excesso de gordura no sangue), as gorduras podem representar 30 a 50% das calorias do alimento. Além das vantagens já mencionadas, as gorduras também diminuem a intolerância aos carboidratos e melhoram a absorção de vitaminas lipossolúveis. Por esta razão, segundo estes autores, os carboidratos devem compor no máximo 45% das calorias da dieta.

Outros autores afirmam que a maior parte das calorias deve ser proveniente de carboidratos, como arroz e massas, e que as gorduras não devem ser reduzidas e nem aumentadas em relação a uma dieta “normal” para cães. Eles também recomendam a restrição de gorduras apenas nos casos de esteatorréia ou hiperlipidemia.

VITAMINAS E MINERAIS

A absorção de vitaminas lipossolúveis pode estar diminuída, e a suplementação com vitamina E é indicada, principalmente nos casos de colestase (a bile não consegue fluir adequadamente para o intestino) ou de intoxicação por excesso de cobre. O seu efeito antioxidante protege o organismo. Não é preciso suplementar com as vitaminas A e D.

Frutas e vitaminas

A suplementação com as vitaminas hidrossolúveis B1 e B12, principalmente se o cão não estiver se alimentando bem, é recomendável, pois elas ajudam na regeneração dos tecidos. A vitamina K é útil para cães com tendência a hemorragias, e também para os que sofrem com colestase (quando a bile não flui normalmente para o intestino).

A restrição de sódio é recomendável se o cão tiver edema ou ascite (“barriga d’água”), mas, se ele estiver se alimentando muito pouco, a restrição pode ser mais branda, já que a ingestão de proteínas e calorias é mais importante.

Por fim, nos animais que sofrem com doenças relacionadas ao armazenamento de cobre – mais comum no West Highland White Terrier (“Westie”), Bedlington Terrier e Skye Terrier -, deve ser feita uma redução no teor de cobre, e uma suplementação de zinco, que diminui a absorção de cobre.

TIPOS DE DIETA

Como é possível concluir pela leitura do texto acima, os cães com doença hepática podem apresentar quadros bem diferentes entre si, e isso acaba afetando de forma importante as suas necessidades nutricionais. Há casos em que determinado nutriente deve ser suplementado (p. ex., a proteína, na maioria dos casos), e também há casos em que o mesmo nutriente deve ser reduzido (se o cão tiver encefalopatia hepática, deve consumir menos proteínas).

Por estas razões, o ideal é que a dieta do cão hepatopata seja individualizada e possa ser adaptada conforme a doença progride (nos casos em que a cura não é possível). Como sempre enfatizamos quando tratamos da alimentação natural (preparada em casa), para que a dieta seja capaz de atender às necessidades do seu cão, ela deve ser orientada por um nutricionista veterinário e preparada especialmente para o seu cão. Eventualmente, restos de alimentos podem ser aproveitados, mas na forma e proporção que tiver sido prescrita para o seu cão – caso contrário, a dieta pode não apenas não beneficiar o cão, como pode até mesmo agravar o seu estado de saúde.

Para aqueles que não têm a disponibilidade de preparar em casa os alimentos do cão, ou preferem não fazê-lo, existem dietas comerciais (rações especiais) para cães com doenças hepáticas. Estas rações normalmente possuem proteína de fácil digestão, alta concentração energética, teores reduzidos de cobre, e suplementação de zinco e vitaminas A, D, E, K, e do complexo B. Desta forma, apesar de não serem individualizadas, conseguem atender razoavelmente às necessidades da maioria dos cães hepatopatas.


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  1. Boa tarde! Tenho uma cachorrinha yorkshire de 8 anos e que apresentou quadro de convulsões há alguns meses atrás. Está tomando Gardenal e Brometo de potássio. Esses remédios cessaram as convulsões mas ela está apresentando fraqueza nas patas da frente, com dificuldades para levantar.. Gostaria de saber se tem alguma vitamina para essa fraqueza? Obrigada desde já.

    1. Olá, Claudia!
      Peço desculpas pela demora. O problema é que essa fraqueza provavelmente não é causada pela falta de vitaminas, mas sim por um problema neurológico ou ortopédico. Se possível, procure um vet especializado em neurologia para examinar a sua cachorrinha e ajudá-los a descobrir a melhor forma possível de lidar com este problema.

  2. Boa tarde, tenho uma rotteweiler de 2 anos ela esta com shunt, estou dando comida de cachorro idoso para ela receitada pelo veterinário, porém ela não tem muita energia tem mais algum tipo de comida que posso dar

    1. Olá, Vinícius!
      Uma opção pode ser mudar para a alimentação natural, desde que devidamente orientada por um profissional, ou então usar a ração própria para problemas hepáticos.
      Mesmo assim, é importante saber que essa indisposição dela pode não estar ligada necessariamente à alimentação dela. É possível que ela esteja se sentindo mal, enjoada, ou tenha algum outro problema que faz com que ela pareça sem energia. Não deixe de medicá-la conforme orientado pelo seu veterinário, e de falar com ele se notar qualquer coisa que não pareça normal.
      Sobre a alimentação natural, em breve estaremos oferecendo o serviço de orientação nutricional online (previsto para o início de 2018); mas, caso deseje iniciar imediatamente, devo recomendar que procure um profissional na sua cidade.

  3. Olá, boa noite. Tenho um daschund de 5 anos que está com insuficiência hepática (ascite) e positividade para erliquiose. Está em tratamento com antibióticos, ursacol e vitaminas. Mas a diminuição da apetite e a seletividade alimentar é de matar. Tenho alternado comida caseira com pastinha hepática e renal. Mas o que desejo saber é quais alimentos ricos em albumina e quais gorduras posso ofertá lo. Tenho tentado ovo, iogurte desnatado, entre outros. Meu desespero é que estou tentando diminuir as ascite dele. Tenho reparado melhoras, um pouco mais de disposição e interação, mas me dói vê lo assim. Obrigada desde já pelo aconselhamento!

    1. Olá, Joelma!
      O ideal no seu caso é procurar orientação junto a um nutricionista veterinário. Em breve nós iniciaremos o serviço de orientação nutricional online aqui no site, porém, por hora, devo sugerir que busque um profissional na sua cidade para que o seu cão receba uma alimentação bem equilibrada e adequada ao problema hepático.
      Ovos são a melhor fonte de albumina que temos mesmo, e podem ser usados sem problemas. Mas é preciso balancear bem a dieta e manejar o problema hepático para que consigam diminuir essa ascite.
      Um abraço!

  4. Temos conosco uma schnauzer miniatura. Ela fez uso da ração hepatic royal cannin por muito tempo. Começou a ter diarreia com sangue e levamos ao veterinário. Ele retirou a ração e prescreveu arros branco, verduras e legumes e frango. Ela continuou a ter diarréia. Suspendi o frango e dei carne (músculo) moída. O sangramento parou imediatamente após o primeiro dia da refeição com carne. O veterinária acha que foi coincidência. Eu acredito que foi a carne de frango. Descobri que na ração tem gordura de frango. O único porém é o mau cheiro das fezes e muitos gases. Quais alternativas teríamos de proteína de fácil digestão além do frango? Ovo e peixe? O mau cheiro é terrível. Já fiz clara de ovo somente, não resolve. De peixe então, é muito odor!
    Procurei outra ração hepatic e achei a equilíbrio que também tem gordura de frango.
    Socorro!

    1. Olá, Talita!
      Seria necessário testar, mas é possível sim que a sua cadelinha tenha alguma sensibilidade à carne de frango. Muitos cães são alérgicos, e a maioria das rações contém este ingrediente (à exceção das hipoalergênicas).
      O ideal no seu caso é buscar orientação junto a um nutricionista veterinário. Em breve, estaremos iniciando o serviço de orientação online pelo site, porém, por hora, devo sugerir que procure um profissional na sua cidade.
      Ovos e peixes são boas alternativas sim, assim como outras carnes mais “exóticas”, como carne de coelho ou de rã. Mas, para que a dieta fique bem balanceada, como já mencionei, sugiro que procure uma orientação nutricional 😉
      Um abraço!

      1. Grata. Estou testando a Vet Life Hepatic que também tem gordura de frango. Descobri que a Royal Cannin faz uso de outras partes do frango além da gordura. Já as outras marcas usam somente a gordura. a cachorrinha não gostou muito, mas come e melhorou bastante.
        Vou testar a marca Equilibrio. A que ela melhor se adaptar vou manter. Consultei veterinário que acredita que a ração é o melhor caminho. Muito grata pela orientação.

  5. Olá tenho um cachorrinho de 9 anos ele tem gastrite e ao longo do tempo tem tido vômitos diários algo amarelo e viscoso no último mês notei que ele tem perdido muito peso ele até se alimenta mais em seguida vomita até mesmo tomando omemprazol receitado pelo veterinário, já foi operado da próstata me ajude a entender o que possa estar acontecendo. Agradeço desde já.

    1. Olá, Cláudia!
      As doenças hepáticas em geral diminuem o apetite… Se o apetite dele diminuiu repentinamente, é interessante falar com o seu veterinário para ver se continua tudo estável ou se houve alguma alteração que precise ser corrigida.
      Outra sugestão pode ser adotar a alimentação natural, que é mais atrativa do que a ração. Minha única observação é que a alimentação natural deve ser feita sob a orientação de um médico veterinário para que a dieta seja equilibrada e adequada às doenças que o animal tenha.
      Em breve, iniciaremos os serviços de orientação nutricional online, porém, por hora, devo sugerir que procure um profissional na sua cidade caso tenha interesse.

  6. Tenho um beagle de 11 anos e e epiléptico toma gardenal todos os dias 100mg e isso afetou muito o fígado dele e ele está bastante inchado já fizemos exames e está bem alterado e o veterinário disse que essa elevação de da pelo medicamento mas não passou nada para a melhora dele do fígado e desde então ele vem inchado bastante e eu preocupada pq acho que mesmo que o medicamento cause deve existir algo para ajudar para que o medicamento não o deixe inchar tanto ele se alimenta normalmente e está bem mas o inchaço na barriga e grande e ele tem dificuldade para levantar se puder me ajudar ou se eu possa fazer algo para melhorar a dieta dele toda refeita raçao adequada já não.sei mais o q fazer me ajuda doutor por favor desde já agradeço

    1. Olá, Roberta!
      Vale a pena verificar, inicialmente, se o inchaço de fato está relacionado ao problema do fígado (o que é bem possível) ou se ele não teria também um problema cardíaco que esteja causando isso.

      Em relação à dieta, vocês poderiam pensar em passar para a alimentação natural, caso tenha disposição de preparar os alimentos para ele. Em alguns casos, o cão responde melhor a este tipo de dieta porque ela pode ser ajustada conforme as particularidades daquele indivíduo. Como sempre, observo que só recomendo a alimentação natural se esta for devidamente orientada por um profissional – que pode ser o seu próprio médico veterinário, se ele trabalhar com isso, ou com um nutricionista veterinário. Muito em breve, estaremos disponibilizando o serviço de orientação nutricional online também 😉

      Existem medicamentos que ajudam a proteger o fígado, porém não podemos fazer qualquer indicação neste sentido via internet. Somente o profissional que examinou e acompanha o cão é quem pode prescrever, se for o caso. Converse com o seu veterinário sobre isso, ou, se não se sentir confortável, procure uma segunda opinião.

  7. Olá boa tarde! Meu cachorro (SRD) está com 12 anos, tem 14,4 kg e apresenta os seguintes resultados de exame de sangue:
    TGP 696,00
    ALBUMINA 2,70
    GGT 16,97
    TGO 193,00
    Está sendo medicado com Legalon 180 mg (1 comprimido) + Ursacol 300 mg (3/4 de comprimido) por dia, além de estar sendo alimentado com a ração hepática da Royal. O tratamento começou a 30 dias e os números praticamente não se alteraram.
    Ele está bem, se alimentando e sem sintomas aparentes.
    O que eu posso fazer? Estou em dúvida se o tratamento está correto.
    Obrigado
    Elias

    1. Olá, Elias! Tudo bem?
      É interessante vocês investigarem a origem destas alterações todas. Pelos exames, o seu cão realmente tem um problema hepático, mas vale a pena saber se ele estaria ligado, por exemplo, à presença de um tumor ou cálculos biliares, por exemplo, entre outras possibilidades. Uma ultrassonografia pode ajudar neste sentido.
      O tratamento me parece correto, porém, conforme a causa do problema, pode ser que vocês precisem também de algo mais específico para ajudá-lo 😉
      Um abraço!

  8. Muito bom esse artigo. Meu cão é velhinho e, além de ter neoplasia no fígado, agora apareceu insuficiência renal. Está difícil uma dieta específica para ambas as doenças. Seus artigos são bastante esclarecedores. Parabéns! O melhor tratamento é o conhecimento antecipado dos sintomas, onde muitas vezes, é possível reverter o quadro. É preciso muita leitura. Seja para cuidar de pessoas ou animais. Não só os médicos precisam dessa atualização constante. Os cuidadores também deveriam ter essa responsabilidade e compromisso com a informação. Deixamos avançar doenças por falta de informação dos sintomas. Obrigada.

    1. Olá, Vania!
      Muito obrigada pelos elogios, ficamos felizes em ajudar. O objetivo do site é justamente este – informar os tutores, para que consigam sempre adotar os melhores cuidados possíveis com os seus velhinhos.

      Sobre a dieta do seu cãozinho, realmente é difícil encontrar uma dieta comercial (ração) que se ajuste a estas duas condições. Normalmente, em casos assim, acabamos priorizando os rins.

      Uma alternativa, caso você tenha a disponibilidade de preparar os alimentos, pode ser vocês adotarem alimentação natural para ele, que pode ser personalizada de modo a atender a todas as suas necessidades especiais. Muito em breve iniciaremos este serviço online aqui no site, estamos apenas ajustando os últimos detalhes. Se tiver interesse, escreva para o email contato@meucaovelhinho.com.br . Ou então, procure um vet especialista em nutrição na sua cidade 😉

      Um abraço!

  9. Tenho uma cachorra poodle, porte médio que está com 12 anos, começou a vomitar amarelo depois da alimentação e ficava quietinha…….depois voltava a se alimentar.. como isso se repetiu duas vezes na sequencia, levei no veterinário, o qual solicitou exame ultrassom abdominal, infelizmente constatou que se trata de um tumor no fígado.
    Conforme orientação, devido a idade e pelo porte da minha cachorra, teremos que tratar com medicamentos, porém, isso não vai impedir do tumor crescer, perdi o chão, foi aplicada injeção para sanar a febre e com isso a temperatura voltou ao normal, mas minha cachorra está mais triste, sinto que ela se afasta de nós…não fica mais próxima e se a coloco por perto…na cama, ela se retira e prefere ficar em baixo da cama, isso está me preocupando, pois o comportamento dela está mudando…cada vez mais quieta e está se distanciando um pouco de nós…..estou muito triste e me sentindo perdida….pois ela é nossa princesa….e não consigo digerir que ela está com esse problema.

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