Cardiomiopatia Dilatada (CMD) – Um “Coraçãozão”!

Cardiomiopatia significa, literalmente, doença do músculo cardíaco; e “dilatada” refere-se a um aumento de tamanho. De forma bem simplificada, cardiomiopatia dilatada é a doença do coração grande.

 

Existem muitos motivos possíveis para o coração de um cão ficar aumentado, como, por exemplo, a ICC esquerda, dirofilariose, insuficiência ou estenose valvar, entre outros. Mas neste caso específico, a causa principal é um enfraquecimento do músculo cardíaco. Não se sabe ao certo porque este enfraquecimento ocorre, mas algumas hipóteses tem sido sugeridas:

 

  • Deficiências nutricionais (falta dos aminoácidos taurina e/ou carnitina);

  • Intoxicações;

  • Uso de algumas drogas, como a doxorrubicina;

  • Doenças metabólicas, como hipotireoidismo;

  • Genética (algumas raças são mais predispostas, como Dobermans, Boxers, Cocker Spaniel, Labrador, Rottweiller, São Bernardo,, entre outras);

  • Infecções;

 

No cão com esta doença, o coração aumenta de tamanho porque o músculo cardíaco fica muito fraco para bombear adequadamente o sangue para o corpo todo. Por esta razão, o sangue se acumula no próprio coração, que vai ficando cada vez maior e com mais dificuldade de trabalhar (insuficiência cardíaca). Com a progressão da doença, o sangue não se acumula mais somente no coração, mas também no corpo todo, gerando quadros de ascite (“barriga d’água”) e edema periférico (edema nas patas e focinho). O cão se cansa com mais facilidade, e a sua respiração fica ofegante.
Boxer - cardiomiopatia dilatada

Um quadro típico ocorre muito em Boxers, quando vemos que o cão emagrece muito, porém permanece com um grande volume abdominal (barriga grande, inchada). O inchaço da barriga pode ser tão grande que dificulta a respiração do cão, e pode ser necessário drenar os líquidos em excesso para diminuir o desconforto.

Junto com o aumento de tamanho do coração, também são comuns as arritmias (o coração bate “fora do ritmo”), detectáveis apenas com o uso do eletrocardiograma. Estas arritmias dificultam ainda mais o bom fluxo sanguíneo, e podem causar desmaios e até mesmo a “morte súbita”, inclusive em cães que já estão em tratamento.

O médico veterinário poderá “desconfiar” da doença pelo simples histórico e exame clínico do paciente. Radiografias podem ser bem sugestivas também, mas a confirmação (“palavra final”) vem com o ecocardiograma, que consegue demonstrar com clareza não apenas o aumento das câmaras cardíacas, como também o afinamento das suas paredes. O eletrocardiograma também é bem útil para detectar eventuais arritmias, que precisam ser tratadas com prioridade quando presentes.

A cardiomiopatia dilatada tem tratamento?

É possível tratar a cardiomiopatia dilatada (CMD) com o uso de alguns medicamentos, que têm como objetivos:

  • Remover o excesso de líquido acumulado nos pulmões e/ou abdômen;

  • Dilatar os vasos sanguíneos, para facilitar o trabalho do coração;

  • Corrigir as arritmias;

  • Fortalecer os batimentos cardíacos.

O tratamento não cura a doença, e deve ser mantido pelo resto da vida do cão. Os medicamentos utilizados podem ter efeitos colaterais importantes, e por isso devem ser administrados exatamente conforme a prescrição do médico veterinário responsável. É importante que o cão seja monitorado periodicamente, pois, conforme a evolução da doença, pode ser necessário alterar doses de medicamentos, ou mesmo trocar ou adicionar princípios ativos.

Autora: Bárbara Gomiero

Formada em Medicina Veterinária pela UFPR em 2006, especialista em Clínica de Pequenos Animais. Apaixonada por cães, tem um amor especial pelos cães idosos, e trabalha para levar conhecimento e informação aos seus tutores, para que esses sejam capazes de proporcionar uma excelente qualidade de vida nessa fase tão delicada de seus cãezinhos.

Comments are closed