Passear faz bem

Todo mundo que tem cão sabe que é preciso passear com eles. Mas, seja por falta de tempo, por preguiça, ou porque “já tem bastante espaço no quintal”, este hábito acaba muitas vezes sendo deixado de lado. Às vezes sequer chega a ser criado tal hábito, e o cão passa a vida (ou boa parte dela) sempre no mesmo ambiente.

passear com coleira

Imagem: PDPics

O problema disso é que os cães são animais naturalmente nômades. Em condições “naturais”, os cães passariam praticamente dias inteiros caminhando e explorando locais. Quando um cão sai para passear, ele não está apenas “se exercitando”, ou “gastando a energia” (isso também é importante!), mas também está exercendo a sua “canilidade”! Ele sente os diferentes cheiros (e espalha o seu próprio), explora lugares, vê coisas diferentes. Isso tudo é estimulante para o cão, o mantém ativo, e especialmente, feliz!

Existe uma preocupação em relação aos cães idosos, pois muitas vezes eles têm limitações – seja um problema cardíaco ou dificuldade de locomoção, por exemplo -, mas mesmo para estes animais uma caminhada diária traz benefícios! É importante, é claro, respeitar os limites do seu velhinho: ainda que você gostasse de sair para correr com ele nos seus “anos dourados”, esta atividade pode ser mais difícil – ou até perigosa para a saúde dele – agora que ele está mais velho. Se o seu cão parecer ter dificuldades para acompanhar o seu ritmo, ou ficar muito cansado antes de percorrer a distância com a qual ele estava acostumado, não o force! Mas, respeitados os limites do seu velhinho, uma caminhada diária trará diversos benefícios para ele:

    • Os exercícios físicos ajudam a manter a musculatura ativa e forte, o que irá contribuir muito para a sua qualidade de vida;
    • A movimentação das articulações estimula a sua regeneração, retardando o progresso das artrites/artroses e ajudando a aliviar a dor;
    • Os estímulos olfativos/visuais/auditivos estimulam a mente do cão, e ajudam a reduzir os sintomas da Síndrome da Disfunção Cognitiva (“demência senil”);
      beagle passeando na terra

      Imagem: PDPics

  • Fortalecimento do relacionamento entre o cão e o seu tutor;
    Se o seu cão, mesmo velhinho, ainda tiver bastante energia acumulada, um passeio diário ajuda a diminuir problemas de comportamento e ansiedade;
  • Ele gosta! =)

Para que o passeio seja realmente proveitoso, não deixe de tomar algumas precauções:

  • Todo cão, independente de idade, tamanho, ou nível de adestramento, deve andar de coleira e guia nas ruas. Não são poucos os casos de cães “muito bonzinhos” ou “muito bem treinados” que se distraíram, ou se assustaram, e acabaram se envolvendo em trágicos acidentes. Uma coleira ou peitoral bem ajustada no seu cãozinho não incomoda nada, e trará muito mais segurança!
  • A calçada e os canteiros são de todos, e ninguém gosta de pisar em cocô de cachorro! Não esqueça de levar um saquinho para juntar as cacas se precisar 😉
  • Se o passeio for mais longo, e/ou estiver muito quente, leve água para ele se refrescar;
  • No verão, evite sair nos horários mais quentes: além da temperatura do ambiente, o asfalto e as pedras das calçadas podem ficar muito quentes e queimar as patinhas do seu cão!
  • Se o seu cão for agressivo, deve usar focinheira. Existem diversos modelos que não machucam e que não atrapalham a respiração. Evite aqueles que mantêm a boca do cão quase fechada: estes são mais para uso nas clínicas, ou se você precisar fazer um curativo em casa. Já durante um passeio, este tipo de focinheira não permite que ele ofegue ou respire com a intensidade necessária, o que pode ser bem perigoso.

E para cães que têm dificuldade de locomoção?

Se o seu cão for paraplégico ou tetraplégico, existem “cadeirinhas de rodas” que podem ser usadas durante o passeio. Já se ele tiver dificuldade de locomoção porque sente dor ou tem alguma outra limitação, uma opção interessante pode ser colocá-lo num carrinho para cães quando ele não conseguir mais caminhar (existem alguns modelos que são semelhantes aos carrinhos de bebês). Ele não irá se exercitar, é verdade, mas receberá os estímulos do ambiente – cheiros, sons, imagens – que ajudarão a manter a sua mente ativa e desperta!

Cão passeando em carrinho

Imagem: My name is Gigi

Autora: Bárbara Gomiero

Formada em Medicina Veterinária pela UFPR em 2006, especialista em Clínica de Pequenos Animais. Apaixonada por cães, tem um amor especial pelos cães idosos, e trabalha para levar conhecimento e informação aos seus tutores, para que esses sejam capazes de proporcionar uma excelente qualidade de vida nessa fase tão delicada de seus cãezinhos.