AVC Em Cães

Você sabia que o AVC (Acidente Vascular Cerebral) também afeta os cães? Apesar de ser menos comum do que em humanos, o problema é igualmente perigoso para os nossos amigos peludos, e é muito importante que os tutores saibam reconhecê-lo.

Mas, Afinal, O Que É o AVC ?

Tudo bem, você já sabe o que a sigla “AVC” significa – nós já falamos acima… mas você sabe o que acontece com cães e humanos que sofrem AVC’s? Um “acidente vascular” acontece quando a passagem do sangue é interrompida em alguma parte do corpo. Quando falamos em “acidente vascular cerebral”, é porque esta interrupção aconteceu no cérebro. O resultado disso é que uma parte do cérebro fica sem oxigênio ou nutrientes, e, portanto, deixa de funcionar corretamente.

Os acidentes vasculares (“derrames”)podem ser, basicamente, de dois tipos: o “isquêmico” e o “hemorrágico”. Vejamos então:

  • Derrame isquêmico: é quando alguma coisa impede que o sangue circule normalmente. Isso pode acontecer por dois motivos:
    • AVC Embólico: causado por êmbolos, que são pequenas porções de gordura, bactérias, ar, e até mesmo corpos estranhos (objetos), que fisicamente bloqueiam a passagem do sangue.
    • AVC Trombótico: causado por coágulos de sangue.
  • Derrame hemorrágico: acontece quando um vaso sanguíneo se rompe, causando um sangramento e fazendo com que o sangue não consiga chegar a alguma parte do cérebro. Pode ocorrer tanto dentro do cérebro, como nas membranas ao seu redor.
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A cabeça inclinada para o lado pode ser um sinal de AVC.
Imagem: Flickr

O Que Causa o AVC ?

Os AVC’s Isquêmicos estão relacionados a diversas doenças, tais como: insuficiência renal, doenças cardíacas, problemas de tireoide, Síndrome de Cushing (Hiperadrenocorticismo), diabetes, e hipertensão. Menos comumente, podem se formar êmbolos a partir de gorduras, parasitas, fragmentos de tumores, e pedaços de cartilagem.

Já os AVC’s hemorrágicos normalmente acontecem quando o animal sofre algum acidente, ou se ele tiver algum problema de coagulação. Um cão pode ter problemas de coagulação se ingerir certos venenos de roedores, se tiver alguma doença imunomediada, hipertensão (por problemas renais, cardíacos, síndrome de Cushing, e problemas de tireoide), ou inflamação das artérias.

Quais São Os Sinais de AVC em Cães?

Cães que sofrem AVC’s (derrames cerebrais) podem:

  • Caminhar em círculos;
  • Virar para o lado errado quando são chamados;
  • Ficar com a cabeça pendendo para um lado;
  • Ter dificuldade de se equilibrar, cair;
  • Ficar letárgicos;
  • Ter cegueira repentina;
  • Perder o controle sobre a micção (fazer xixi), defecação (fazer cocô);
  • Vomitar;
  • Apresentar nistagmo (olhos ficam se movendo involuntariamente, como se estivessem assistindo a uma partida de pingue-pongue imaginária).

Um cão que tenha sofrido um AVC não necessariamente apresentará todos estes sinais. Cabe notar também que estes sinais podem ser causados por outros problemas que não os AVC’s, por exemplo: tumores cerebrais, labirintite, intoxicações, entre outros. A causa deve ser sempre investigada.

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Andar em círculos é um sinal de AVC em cães.
Imagem: “O Círculo”, por Mariah Peixoto

Como Saber Se o Meu Cão Sofreu Um Derrame?

Para se confirmar um diagnóstico de derrame cerebral (AVC) em cães, é preciso necessariamente fazer uma tomografia computadorizada ou uma ressonância magnética. As radiografias não são capazes de detectar derrames cerebrais, embora possam ser úteis para identificar tumores, por exemplo.

Atualmente, vem sendo estudada uma nova técnica para o diagnóstico: a ultrassonografia transcraniana. Apesar de ser barata e precisa, a ultrassonografia transcraniana ainda não está disponível na maioria dos centros diagnósticos.

Existe Um Tratamento Para o AVC em Cães?

O tratamento foca em minimizar os danos causados pelo AVC, e na prevenção de novos derrames. Por vezes, são usadas medicações para tentar diminuir o inchaço no cérebro logo após um acidente, mas não há comprovação de que este cuidado realmente possa trazer algum benefício. Sempre que possível, procura-se também melhorar a oxigenação do cérebro, com o uso de oxigênio e alguns medicamentos. Cuidados paliativos ajudam a melhorar o bem-estar do animal.

Uma das providências mais importantes é tentar se identificar a causa do AVC, e tratá-la sempre que possível: este cão teria um problema de coagulação? insuficiência cardíaca? pressão alta? e assim por diante… Ao tratarmos a causa do AVC, conseguimos diminuir a probabilidade de que ele volte a acontecer. Infelizmente, porém, cerca de 50% dos casos de derrames em cães não têm uma causa conhecida, de acordo com a AAHA (American Animal Hospital Association).

O Meu Cachorro Vai Melhorar?

A maior parte dos cães consegue se recuperar dos AVC’s dentro de algumas semanas, mas isso não é garantido – as chances de recuperação dependem muito do tamanho e da localização da lesão. A longo prazo, a recuperação do cão, e a probabilidade de novos derrames acontecerem, dependem da causa que o levou a ter um AVC, e se esta causa pode ser tratada.

Autora: Bárbara Gomiero

Formada em Medicina Veterinária pela UFPR em 2006, especialista em Clínica de Pequenos Animais. Apaixonada por cães, tem um amor especial pelos cães idosos, e trabalha para levar conhecimento e informação aos seus tutores, para que esses sejam capazes de proporcionar uma excelente qualidade de vida nessa fase tão delicada de seus cãezinhos.

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