Como Adaptar a Sua Casa Para Um Cão Velhinho

Conforme os nossos cães ficam mais velhinhos, eles podem passar a ter dificuldade para executar tarefas que, antes, costumavam ser fáceis. Algumas adaptações simples podem ajudá-lo a superar estes obstáculos, e a navegar pela casa com mais facilidade e segurança.

Mobilidade

Os problemas articulares, como a artrite ou artrose, são bastante comuns na terceira idade. Hérnias de disco, alguns tumores, e dores em geral, também atrapalham a mobilidade e podem fazer com que o cão não consiga ou tenha dificuldade para se deslocar dentro de casa.

Tapetes e Pisos Antiderrapantes

Os cães foram feitos para caminharem na terra, em pedras, e pisos ásperos. Um piso muito liso, especialmente para cães mais pesados, pode ser algo bem desafiador para um cão. Eles escorregam, e podem cair com as patas abertas, correndo o risco inclusive de romper ligamentos. Ainda que os cães mais jovens aprendam a lidar com isso, é preciso um esforço constante e consciente para que eles não escorreguem.

Um cão que já tenha alguma dificuldade para se locomover sofrerá ainda mais se o piso da casa onde vive for liso. Inclusive, se ele tiver alguma doença articular, ela pode até mesmo se agravar por causa disso. Para o seu peludo não sofrer tanto, invista em tapetes que sejam emborrachados em baixo (para não saírem do lugar quando alguém pisa) nas salas e outros ambientes onde ele frequenta. Uma outra opção é usar uma cera antiderrapante no chão, que o tornará menos escorregadio. Esta dica na verdade vale para cães de todas as idades, já que um cão que passe a sua vida sobre um piso liso tem maior tendência a artrose e a sofrer rupturas de ligamentos.

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Alguns tipos de cera possuem ação antiderrapante. Imagem: Bravo

Escadas e Rampas

Se a sua casa tem alguns desníveis, ou se o cão está habituado a subir em camas e sofás, então é possível que, agora, ele precise de uma “mãozinha”.

Se o seu cão tem acesso a camas e sofás, considere comprar ou mandar fazer uma escadinha ou uma rampa que lhe permita continuar subindo e descendo dos móveis sem precisar de ajuda. Embora as rampas sejam mais fáceis de subir e descer, elas também requerem mais espaço. Além de facilitarem a vida do cão (e dos tutores), estes simples equipamentos ajudam a evitar importantes lesões de coluna que podem acontecer quando o cão pula para descer do sofá.

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Escadas especiais podem ser colocadas ao lado de camas e sofás para que os peludos possam subir e descer com segurança. Imagem: Amazon.com

Se a sua casa possui degraus entre um cômodo e outro, ou para o acesso às áreas externas, observe qual o grau de dificuldade (ou facilidade) que o seu cão tem para subir ou descer. Caso ele tenha dificuldade ou use cadeirinha de rodas, procure instalar rampas nestes degraus. Elas podem ser facilmente improvisadas com pedaços de madeira – mas certifique-se de que fiquem bem presas, e que sejam fortes o suficiente para suportar o peso do animal (e de quem mais for pisar sobre a rampa).

Em sobrados ou casas que tenham escadarias, fica difícil transformar as escadas em rampas. Mas é possível instalar fitas antiderrapantes nos degraus, evitando assim que o seu peludo (ou mesmo uma pessoa) acabe escorregando e caindo. Se o seu cão for cego, coloque também um portãozinho de segurança em cada extremidade da escada, para que ele não acabe se acidentando.

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Portões de segurança ajudam a prevenir acidentes em escadarias.
Imagem: This Next

Acesso à Água e Alimentos

Cães com certas doenças – como Insuficiência Renal Crônica, Diabetes, Síndrome de Cushing, Insuficiência Cardíaca Congestiva, entre outras – precisam beber muita água, mais do que um cão “normal” precisaria. Mas, se estes cães também tiverem alguma dificuldade de locomoção, é possível que deixem de beber a água de que precisam, apenas porque é dolorido ou cansativo demais chegar até o pote de água. Neste caso, procure espalhar alguns potes de água pela casa, nos locais onde o seu cão mais frequenta. Se a sua casa tiver mais de um pavimento e o seu cão tiver acesso a todos os pisos, não deixe de colocar água para ele em cada um dos andares. Ah, e não esqueça de manter os potes sempre limpinhos e com água fresca!

O potinho de comida deve ficar num local de fácil acesso. Como já comentamos em outros artigos (veja aqui), não é recomendável que o alimento fique disponível o tempo todo, para evitar problemas de fermentação, contaminação, desperdício, e até mesmo de obesidade. O fato de o alimento ser servido apenas em horários determinados também ajuda a manter a regularidade intestinal do cão, e permite ao tutor um melhor controle do quanto o seu cão está de fato ingerindo. Esta regra também vale para todos os cães; mas a adaptação que pode precisar ser feita é em relação à altura do pote, e até mesmo a forma como o alimento é servido.

Se o cão tiver algum problema no pescoço que faça com que seja difícil se abaixar, ou se ele tiver megaesôfago, então os seus potes de água e de comida devem ficar elevados. Por outro lado, se o cão tiver muita dificuldade para se levantar, caminhar ou se locomover, o ideal pode ser servir o alimento logo à frente do animal no local onde ele estiver deitado, para que ele possa se alimentar sem precisar sair do lugar.

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Potes elevados podem ser úteis para cães com megaesôfago ou problemas no pescoço.
Imagem: High Rock Woodworking

Conforto Térmico

Os cães idosos são mais sensíveis tanto ao frio, quanto ao calor. Por conta disso, cuide para que o local onde ele dorme seja bem protegido no inverno, e adequadamente ventilado no verão.

Cães que dormem fora de casa

Para cães que dormem em canis ou casinhas fora de casa, é recomendado colocar uma plataforma (de madeira, por exemplo) que evite o contato direto com o chão e a umidade. No inverno, cubra a porta da casinha com uma cortina de banho. Isso permitirá que o cão entre e saia com facilidade, mas irá bloquear a chuva e o vento. Mesmo assim, se o frio estiver muito intenso, é recomendável que o animal durma dentro de casa. No verão, a cortina deve ser retirada para permitir uma boa ventilação.

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Cortinas na porta da casinha ajudam a manter o cão protegido do frio e da chuva. É possível improvisar uma com cortinas de banho.
Imagem: Dicas Peludas

Cães que dormem dentro de casa

Caso o cão não durma junto com os tutores, escolha um quarto pequeno para ele, como uma despensa. No inverno, mantenha a porta apenas semiaberta, para que o cão possa entrar e sair, mas de modo que a maior parte do calor do quarto fique retida lá dentro. Se o frio estiver muito intenso, é possível ligar um aquecedor de ambientes, tomando-se o cuidado de manter o aparelho e os seus fios longe do alcance do cão, para que ele não leve um choque.

No verão, mantenha a porta do quarto onde o cão dorme aberta, para que haja uma boa ventilação. Se estiver muito quente, um ventilador pode ajudar a refrescá-lo.

Todos os Cães

No inverno, coloque roupinhas quentes em cães que sejam sensíveis ao frio (observe alguns cuidados em relação às roupinhas neste artigo). Forre as caminhas e casinhas com cobertores e/ou almofadas, para que o ambiente fique quentinho e aconchegante, e procure cobrir os seus animais quando se recolherem para dormir durante a noite. Se o seu cão come comida caseira, não deixe de aquecer os alimentos antes de servir.

No verão, ofereça água gelada, ou até mesmo cubos de gelo para o seu cão lamber. Evite o uso de roupinhas, e certifique-se de que ele tenha locais devidamente sombreados e ventilados onde possa se proteger a qualquer momento. Para que ele durma com mais conforto em dias muito quentes, você pode usar um colchonete especial que ajuda a refrescar. Relativamente recentes no mercado brasileiro, estes colchonetes contam com sistemas que usam gel e/ou água para manterem-se sempre geladinhos.

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Colchonetes especiais se mantêm frescos e são ideais para dias quentes.
Imagem:Amazon.com

Cães Cegos e/ou Surdos

Diversas adaptações podem ser feitas para cães que sejam cegos e/ou surdos. Já discutimos estas adaptações em outros artigos específicos para cães cegos, surdos, e também para aqueles que são cegos E surdos ao mesmo tempo. Se o seu cãozinho tiver alguma deficiência auditiva e/ou visual, não deixe de conferir os nossos artigos sobre o tema.

E você, já fez alguma adaptação para o seu cãozinho? Tem alguma dica que esquecemos de mencionar? deixe a sua dica nos comentários! 😉

Autora: Bárbara Gomiero

Formada em Medicina Veterinária pela UFPR em 2006, especialista em Clínica de Pequenos Animais. Apaixonada por cães, tem um amor especial pelos cães idosos, e trabalha para levar conhecimento e informação aos seus tutores, para que esses sejam capazes de proporcionar uma excelente qualidade de vida nessa fase tão delicada de seus cãezinhos.

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