Xixi na cama?!

Depois de passar anos sendo o orgulho dos seus tutores, de repente o cão que sempre foi tão educado começou a fazer xixi na cama, enquanto dorme, ou as vezes até quando está acordado e caminhando pela casa. Será que ele está ficando malcriado?

A incontinência urinária é um problema que atinge principalmente as fêmeas, mas pode também atingir os machos. Quando isso acontece, o cão perde o controle sobre os esfíncteres uretrais – o que significa, de modo bem simples: ele não consegue “se segurar”.

Dálmata com cara coberta - incontinência urinária

A incontinência urinária pode ter uma ou mais causas, e estas devem ser investigadas pelo médico veterinário que acompanha o cão. Veja algumas causas possíveis:

  1. Fêmeas castradas: um problema que pode aparecer de uma semana até vários anos após a castração da fêmea é a redução dos níveis de estrogênio no sangue. Com essa redução de estrogênio, ocorre diminuição da pressão do fechamento uretral, sendo mais comum a incontinência em repouso. O proprietário atento percebe que a cadela acorda com os membros pélvicos (posteriores) úmidos, com odor de urina, e a caminha ou cobertor, molhados. Podem aparecer assaduras entre os membros, e até infecções de pele ao redor da vulva. Este problema raramente afeta fêmeas não castradas ou machos. O tratamento pode ser feito com o uso de medicações por via oral, injetável, ou até mesmo tópica, e tem duração bastante variável. Enquanto para algumas cadelas pode bastar apenas 60 dias de terapia, outras podem precisar pelo resto da vida. Outros problemas associados, como infecções urinárias e insuficiência renal, também podem fazer com que o problema se agrave.
  2. Infecção urinária: outro problema mais comum em fêmeas. A uretra curta das fêmeas, e a sua posição próxima ao ânus, facilita a passagem de bactérias para o trato urinário. Em machos, boa parte das infecções está associada à presença de urólitos (“pedras”), que podem precisar ser removidos cirurgicamente. As infecções urinárias podem afetar desde a uretra até os rins, chegando a levar à insuficiência renal se não tratadas. Mais difícil de perceber, a infecção urinária faz com que o cão urine com muita freqüência, mas em pequenas quantidades (cada vez, saem apenas algumas gotinhas). A urina adquire um odor forte e desagradável, mas isso pode passar em branco se o cão fizer as necessidades apenas na grama. Alguns cães com infecção urinária podem ter dificuldade para “se segurarem”, e por isso acabam espalhando respingos de urina pela casa, ou até mesmo na cama, enquanto dormem.
  3. Insuficiência renal crônica: afeta ambos os sexos, sem preferência. Os cães com insuficiência renal crônica produzem uma quantidade de urina diária muito maior do que o normal. A princípio, isso não faz com que eles percam o controle sobre a bexiga, apenas faz com que urinem em volumes maiores e com mais freqüêcia. Este problema costuma estar mais associado à incontinência urinária nos casos de cães que vivem em apartamentos, e que têm o hábito de fazer as necessidades apenas quando saem para passear. Como a bexiga fica muito cheia, e o intervalo entre os passeios frequentemente é grande, o cão não consegue impedir que um pouco acabe “vazando”… Cabe lembrar que, além do desconforto produzido no animal, estes longos intervalos entre as “idas ao banheiro” também propiciam infecções urinárias.
  4. Diabetes: os cães diabéticos também produzem volumes maiores de urina, e, pelos mesmos motivos dos que têm insuficiência renal crônica, também podem ter dificuldade para conter a urina. Por terem altos teores de açúcar na urina, estes cães são muito propensos a infecções urinárias, o que pode acabar piorando o problema.
  5. Lesões neurológicas: danos em nervos da coluna, causados por traumatismos, tumores, ou hérnias de disco, além de danos à inervação local da bexiga, podem fazer com que o cão perca total ou parcialmente a capacidade de segurar a urina (e, as vezes a incontinência pode ser também fecal!). Algumas lesões neurológicas são reversíveis, e outras, não. É preciso que o veterinário encontre exatamente a origem desta lesão para se determinar um prognóstico. Caso não seja possível reverter a lesão, a solução é aderir às fraldas – atualmente, existem modelos específicos para cães machos e fêmeas, de diversos tamanhos.

    Destacamos aqui que um cão pode ter dois ou mais destes problemas associados, todos colaborando para o mesmo resultado – a incontinência urinária, além dos óbvios impactos na saúde do cão. Isso significa que, não é só porque a sua fêmea é castrada que se deve assumir que o problema dela é puramente hormonal. Ela pode ter uma infecção urinária associada, pode ter insuficiência renal, e pode ser até que o problema dela não tenha nada a ver com os hormônios!

Autora: Bárbara Gomiero

Formada em Medicina Veterinária pela UFPR em 2006, especialista em Clínica de Pequenos Animais. Apaixonada por cães, tem um amor especial pelos cães idosos, e trabalha para levar conhecimento e informação aos seus tutores, para que esses sejam capazes de proporcionar uma excelente qualidade de vida nessa fase tão delicada de seus cãezinhos.

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