Velhinhos Ranzinzas?

Os nossos cães são seres muito queridos a vida toda, não há dúvida disso. Mas já reparou como alguns podem ficar mais “ranzinzas” quando se tornam velhinhos?

Eles podem decidir, de uma hora para outra, que não querem receber carinho, ou que não querem contato com outros animais. Há situações em que eles acabam até mesmo brigando com outros cães da casa, ou mordendo acidentalmente os seus tutores. Isso pode fazer com que algumas pessoas, assustadas, decidam abandonar os seus velhinhos justo quando eles mais precisam de apoio.

Agressividade e Irritabilidade em Cães Idosos

À exceção daqueles cães que sofrem ou sofreram com abandono e maus tratos, a maioria dos cães que temos em casa leva uma vida relativamente tranquila, cheia de amor e carinho. Mas por quê, então, alguns resolvem ficar tão mal humorados quando chegam à terceira idade?

cão Husky Siberiano irritado

Imagem: Motley News

Temos algumas hipóteses:

Perda da visão e/ou audição

A perda dos sentidos faz com que o cão perca importantes canais de comunicação com o meio exterior. Um cão que seja cego e/ou surdo pode não perceber a aproximação de outro cão ou humano, de modo que se assustará com facilidade se for pego desprevenido. Ao se assustar, é natural que o cão tente se defender, e ele pode fazer isso tentando fugir ou atacar a ameaça em potencial. Por essa razão, é muito importante que você avise o seu cão surdo e/ou cego antes de tocar nele.

A falta da visão e/ou da audição também pode fazer com que o seu cão se torne meio “sem noção” perante os demais cães da sua matilha. Isso porque ele pode não captar sinais de aviso que os outros animais emitem através de sons ou mesmo por meio de expressão corporal, e, assim, ultrapassar limites impostos pela matilha. O seu “desrespeito” aos sinais alheios pode fazer com que ele seja atacado pelos outros cães com os quais convive, a depender do nível de tolerância de cada animal.

Veja dicas para lidar com esse problema nos artigos:

Dor e desconforto

Um cão idoso pode sentir dor ou desconforto por diversos motivos: artrite/artrose, doença periodontal, problemas de coluna, entre outros. Estas condições dolorosas fazem com que o cão fique num estado de estresse constante, e, portanto, irritado.

Outro ponto que cabe lembrar é que um simples toque numa região sensível pode causar bastante dor, e o cão pode acabar reagindo agressivamente para se defender. Não porque ele não goste mais do seu tutor, mas porque ele quer que a dor vá embora, e, sendo um cão, esta é a forma que ele tem de se expressar. Ao relacionar o toque humano a sensações desagradáveis (mesmo que o tutor não tenha qualquer intenção de causar dor), é possível que o cão comece a ficar na defensiva, evitando contatos físicos e até mesmo rosnando ou mordendo quem se aproximar.

Nesta imagem, o cão deitado dá um aviso ao outro para que não se aproxime.
Imagem:HD ImageLib

É claro que existem diferentes gradações para este comportamento. Mas, genericamente falando, sentir dor e desconforto são fatores que podem deixar o seu cão mais recolhido, irritado, e/ou agressivo.

Certifique-se de levar o seu cão ao veterinário se suspeitar que ele possa estar sentindo dor, e não deixe de medicá-lo se isso for necessário para aliviar o seu desconforto. Além de medicamentos, outros tipos de terapia, como acupuntura e fisioterapia podem ajudar a deixá-lo mais confortável e tranquilo.

Disfunção Cognitiva Canina (DCC)

Por sua semelhança com o mal de Alzheimer em humanos, a “Disfunção Cognitiva Canina”, ou “Demência Canina”, muitas vezes é chamada também de “Alzheimer dos Cães”. Esta doença causa alterações de comportamento, que variam desde a perda do adestramento e treinamento sanitário até mudanças no ciclo sono/vigília, aumento da ansiedade, irritabilidade, e agressividade.

Os sinais variam bastante de um animal para outro, mas, se suspeitar que o comportamento do seu cão está “atípico”, é importante levá-lo ao veterinário. Apesar de não ter cura, essa doença tem tratamento. Saiba mais sobre este problema neste artigo.

Autora: Bárbara Gomiero

Formada em Medicina Veterinária pela UFPR em 2006, especialista em Clínica de Pequenos Animais. Apaixonada por cães, tem um amor especial pelos cães idosos, e trabalha para levar conhecimento e informação aos seus tutores, para que esses sejam capazes de proporcionar uma excelente qualidade de vida nessa fase tão delicada de seus cãezinhos.

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