Como a Dieta Afeta o Tempo de Vida do Seu Cão

Aqui no Meu Cão Velhinho, já enfatizamos muitas vezes a importância de que os nossos cães tenham uma boa alimentação, e que sejam mantidos dentro de um peso adequado: nem gordinhos, e nem muito magros.

Enquanto a magreza excessiva pode ser um sinal de desnutrição ou caquexia, e, portanto, de alguma doença mais séria, a obesidade é por si só uma doença. Cães acima do peso são muito mais propensos do que os demais a terem problemas articulares e de saúde, como já mencionei neste artigo.

Mas recentemente tomei conhecimento de um estudo que levou este “senso comum” a um novo patamar:

Como a restrição alimentar afeta a expectativa de vida e alterações relacionadas ao envelhecimento de cães

Um estudo da Purina®, que levou muitos anos para ser concluído, comparou o impacto da dieta sobre a expectativa de vida e o envelhecimento de cães ao longo das suas vidas inteiras. Para isso, foram usadas 7 ninhadas de labradores, sendo que cada ninhada era dividida ao meio: a metade dos filhotes receberia alimentação à vontade, e a outra metade, apenas uma quantidade restrita e devidamente calculada para suprir as suas necessidades nutricionais. No total, foram 48 cães acompanhados desde o momento do seu nascimento até a sua morte. E os resultados foram surpreendentes.

Ao final do estudo, constatou-se que o tempo médio de vida dos cães alimentados à vontade foi significativamente menor  (11 anos) do que aqueles que tiveram a sua alimentação controlada (13 anos). Além disso, os cães do grupo “à vontade” ficaram mais pesados, e perderam massa muscular e óssea muito mais rapidamente do que os do grupo cuja dieta havia sido restringida.

Foi observado que, conforme os animais envelheceram, a maioria deles desenvolveu doenças relacionadas à idade, sendo a mais comum delas a osteoartrite (que atingiu 43 dos 48 cães). Outras doenças que apareceram incluíram neoplasias malignas, doenças de pele recorrentes, problemas hepáticos, piometra, gravidez psicológica, hipotireoidismo, e convulsões.

Tomando como exemplo a doença mais comum – a osteoartrite – foi observada também uma diferença nas idades em que o problema se manifestou. Nos cães com dieta “à vontade”, o tratamento precisou ser iniciado entre 6,8 e 12,9 anos de idade. Já nos cães com dieta restrita, o tratamento só foi necessário mais tarde: entre 7,9 e 14,1 anos.

O processo de envelhecimento como um todo também afetou mais rapidamente os cães alimentados à vontade do que aqueles com dietas restritas, como podemos ver nessa imagem:

Priorize o bem-estar do seu cão no longo prazo

Ao alimentar o seu cão, pense no impacto que esta alimentação pode ter na saúde e no bem-estar dele. Assim, ele poderá viver mais e melhor.

Autora: Bárbara Gomiero

Formada em Medicina Veterinária pela UFPR em 2006, especialista em Clínica de Pequenos Animais. Apaixonada por cães, tem um amor especial pelos cães idosos, e trabalha para levar conhecimento e informação aos seus tutores, para que esses sejam capazes de proporcionar uma excelente qualidade de vida nessa fase tão delicada de seus cãezinhos.

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