É Câncer, Neoplasia, ou Tumor?

Você sabe a diferença entre câncer, neoplasia, e tumor? pois saiba que estes termos não são, necessariamente, sinônimos!

O termo “tumor”,  apesar de ser frequentemente usado como sinônimo de “neoplasia”, na verdade se refere a qualquer aumento de volume no corpo. O inchaço causado por inflamações, por exemplo, é um tumor. As neoplasias em geral também são tumores.

Já a neoplasia é uma nova (“neo”) formação (“plasia”). Ela é formada por um grupo de células que se diferencia daquelas que as deram origem. Elas têm aparência, forma, e comportamento diferentes das células normais. É mais ou menos como, por exemplo, nascer um dente na perna (não exatamente, mas serve como ilustração).

Por fim, câncer é um grupo de doenças que ocorrem quando a pessoa ou animal tem uma ou mais neoplasias malignas. Se o animal tiver apenas neoplasias benignas, então ele não tem câncer.

Neoplasias Malignas ou Benignas?

Veja o nosso infográfico, disponível para download:

Infográfico Câncer e neoplasia

As neoplasias, como já dissemos, são grupos de células que são diferentes daquelas que as deram origem. Geralmente elas estão geneticamente alteradas, e passam estas características para as gerações seguintes de células.

Uma neoplasia pode ser maligna ou benigna. As neoplasias benignas não são muito agressivas. Os danos causados por elas, quando ocorrem, estão mais ligados à sua presença física no local onde estão do que por causarem uma doença propriamente dita. Por exemplo, uma neoplasia benigna no coração pode se tornar um grande problema se eventualmente ela obstruir o fluxo do sangue, ou se impedir que ele bata normalmente por conta do espaço ocupado por ela. Neoplasias benignas também podem deformar ossos, causando fraturas, ou impedir que um animal se alimente, se estiverem na boca.

As neoplasias benignas não são muito diferentes das células que lhes deram origem, ao contrário das malignas. Apesar disso, muitas vezes a remoção ou tratamento é recomendável, pois neoplasias benignas podem se tornar malignas. O inverso não acontece.

Neoplasias malignas são bem diferentes do tecido de origem. Elas crescem rapidamente, se disseminando para os tecidos ao seu redor, e podem gerar metástases. Metástases são tumores (neoplásicos) que se formam a partir de uma neoplasia já existente, porém longe dela. Normalmente isso acontece porque células neoplásicas (células do tumor) se disseminam para outras partes do corpo, pelo sangue ou pela linfa.

Quando uma neoplasia maligna é removida cirurgicamente, não raro ela volta a aparecer no mesmo ou em outro lugar. É sinal de que está se espalhando, e cuidados devem ser tomados para conter este processo.

Por Que as Neoplasias Aparecem?

É a pergunta que não quer calar. Exatamente como isso acontece, ainda não se sabe. Mas sabe-se que está ligado a mutações genéticas, que fazem com que as células fiquem diferentes das que lhes deram origem, e se multipliquem em excesso.

As mutações podem ocorrer por uma simples predisposição genética, o que explica o fato de que cães de algumas raças são mais predipostos ao câncer do que outros – os boxers, por exemplo, são famosos por terem mastocitomas (um tipo de câncer). Inflamações crônicas,bem como algumas infecções ou bacterianas ou virais, também podem levar à formação de tumores. Por fim, fatores externos, como a exposição ao sol, à fumaça de cigarro, à radiação, alguns produtos químicos, e até mesmo a alimentação inadequada, também podem causar ou aumentar a probabilidade do surgimento de tumores.

Por Que o Câncer É Uma Doença Tão Séria?

Primeiramente, porque o tratamento ainda é agressivo, e nem sempre funciona. Quando tratamos um câncer, não estamos combatendo um vírus ou bactéria, mas sim as células do próprio paciente.

Outro problema é o próprio tumor, que acaba por alterar ou até mesmo inibir totalmente a funcionalidade normal do órgão onde se encontra. Além da sua presença física, que por si só pode causar dano, as neoplasias malignas podem produzir hormônios e proteínas de forma descontrolada. Estas substâncias são capazes de mudar o funcionamento do organismo todo. Neoplasias que envolvam o sistema imune podem tornar o animal vulnerável a infecções, enquanto tumores na coluna podem afetar a capacidade de andar e a coordenação motora. Cada tipo de tumor, cada lugar afetado, terá um resultado diferente. É por isso que alguns tipos de câncer são mais agressivos do que outros.

Imagem: SheKnows

Imagem: SheKnows

Como Tratar o Câncer

Câncer, como dissemos, na verdade não é exatamente uma doença,  mas sim um grupo de doenças. E o que todas estas doenças têm em comum é a presença de tumores malignos. Já vimos que as neoplasias podem ser muito diferentes entre si, e que os seus efeitos dependem do seu tipo e de onde estão instaladas. Isso significa que o tratamento nem sempre será o mesmo

Regra geral, sempre que isso é possível, o tratamento do câncer envolve a cirurgia para a retirada do tumor. O sucesso da terapia está baseado no sucesso da primeira cirurgia: se a neoplasia for encontrada cedo, e removida com uma ampla margem de segurança, então as chances de que o tumor volte ou surjam metástases, são bem menores.

margem de segurança é a quantidade de tecido normal que é retirada junto com o tumor. Como os tumores malignos se difundem para os tecidos ao redor, partes dele podem ainda não ser visíveis no momento da cirurgia, e por isso é recomendável uma margem de segurança grande. Qualquer vestígio da neoplasia que seja deixado para trás, se transformará num novo tumor posteriormente.

É essencial que os tutores conheçam o conceito e a importância da margem de segurança, para que compreendam que a cirurgia, em alguns casos, pode ser bem radical. Isso pode incluir a amputação de membros, ou a retirada de todas as mamas de uma cadela. Quando a amputação é recomendada, mas o tutor opta por manter o membro, ele deve estar ciente de que esta decisão poderá diminuir significativamente a sobrevida do animal.

Fica então o dilema qualidade de vida x quantidade de vida. Um cão com câncer avançado não terá muita qualidade de vida, mesmo com todos os membros. Por outro lado, muitas pessoas sofrem ao verem o seu animalzinho com uma pata a menos. O que podemos dizer é que os cães se adaptam. É triste e é difícil fazer isso, mas o cão aprenderá a conviver com isso. O que deve pesar mais é se a cirurgia em si poderá trazer algum benefício ao animal (mais qualidade ou tempo de vida), ou se será apenas um estresse a mais.

Fora a cirurgia, técnicas de quimioterapia e radioterapia também vêm sendo usadas para cães. O ideal, sempre que possível, é que os tutores procurem um profissional especializado em oncologia para este tipo de tratamento. Veja o nosso artigo sobre o tratamento do câncer.

Será Hora de Fazer Eutanásia?

Um diagnóstico de câncer não é necessariamente uma sentença de morte para o seu cão. Alguns casos podem ser mais graves, sim, principalmente se forem detectados muito tarde… Mas, antes de entrar em pânico, converse com o seu veterinário. Tente analisar as opções de tratamento com a maior objetividade possível.

Alguns tipos de câncer podem ser curados. Outros podem ser tratados, de modo que o cão terá uma vida mais longa. E, por fim, há casos em que pode não ser possível estender o tempo de vida do bichinho, mas é possível melhorar a sua qualidade de vida. Um finalzinho de vida digno e indolor deve ser direito de todo animal.

Imagem: SheKnows

Imagem: SheKnows

Se chegar ao ponto em que a qualidade de vida do seu cão se torne inaceitável, a eutanásia pode ser uma opção. Esta é, sem dúvida, uma das decisões mais difíceis para qualquer tutor, e deve ser tomada com muito critério. Já fizemos um artigo sobre o assunto, recomendamos a leitura a quem se interessar (leia aqui).

Se você preferir deixar a natureza seguir o seu curso, cuide para que o seu cãozinho viva com dignidade, limpo, e com a mínima dor possível. Existem cuidados especiais que podem ser tomados neste sentido: são os cuidados paliativos, ou hospice (em inglês). Com amor e dedicação, é possível tornar a despedida mais suave para todos.

Autora: Bárbara Gomiero

Formada em Medicina Veterinária pela UFPR em 2006, especialista em Clínica de Pequenos Animais. Apaixonada por cães, tem um amor especial pelos cães idosos, e trabalha para levar conhecimento e informação aos seus tutores, para que esses sejam capazes de proporcionar uma excelente qualidade de vida nessa fase tão delicada de seus cãezinhos.

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