Cuidados que você deve tomar antes de decidir operar o seu cão Velhinho

O veterinário disse que o seu cão precisa ser operado, mas demonstra preocupação, porque o seu cão já tem 8 anos… e agora??

Como temos o hábito de frisar aqui no site, idade não é doença. Então, não é só porque o seu cãozinho já tem 8, 10, ou 15 anos que ele não poderá ser operado. Se pegarmos como exemplo um poodle de 8 anos, que tem expectativa de vida média de quase 15 anos, logo percebemos que este bichinho ainda tem quase metade da vida pela frente. É justo deixá-lo sem tratamento, por esse tempo todo? e, mesmo que o cão já seja mais velho, devemos lembrar que muitas doenças de tratamento cirúrgico causam dor e sofrimento quando não são tratadas, de modo que a cirurgia não deve ser vista como forma de cura, mas de melhoria de qualidade de vida para o animal. Muitos cães idosos chegam a ser mais saudáveis do que filhotes, e, por isso, a sua decisão não deve se basear unicamente na idade do seu cão.

opero ou nao opero

Que cuidados devo tomar?

Idade não é doença, mas é lógico que cães idosos costumam ter mais problemas do que os jovens. Os órgãos vitais, como o coração, rins e fígado, essenciais para uma boa resposta à anestesia, podem estar desgastados e possuir lesões que impeçam o cão de ser operado com segurança. Por isso, a necessidade de se fazerem os exames pré-operatórios.

Os exames pré-operatórios podem variar de um cão para outro, a depender do procedimento que será realizado, do histórico de saúde do animal, e até mesmo por uma variação de protocolo entre diferentes médicos veterinários. Ainda assim, alguns exames não podem deixar de ser realizados quando estamos tratando de um paciente idoso. Um hemograma completo permitirá ao médico veterinário descobrir se o paciente está anêmico, ou se está com alguma infecção, por exemplo (só pelo hemograma, não tem como saber com precisão qual infecção, mas é possível saber se algo está errado). Um perfil bioquímico, que inclua pelo menos as funções hepática e renal, são essenciais para que o veterinário descubra se estes órgãos estão funcionando corretamente. Uma verificação do funcionamento cardíaco, através de uma radiografia, um eletrocardiograma, ou ecocardiograma, também é muito importante. A escolha do tipo de exame que será feito no coração dependerá de diferentes fatores, como o porte e a raça do animal, bem como o seu histórico de saúde.

Exames adicionais ainda podem incluir radiografias e ultrassonografias de partes específicas do corpo do cão (conforme o procedimento a ser realizado), perfis bioquímicos mais completos ou específicos para determinadas doenças, urinálise, exame de fezes, tomografias, entre outros. Quem indicará os exames mais adequados para o seu cão será o médico veterinário que for responsável por ele, mas o tutor tem todo o direito de sugerir exames adicionais, se achar que for o caso, ou de questionar, caso não concorde com algum exame. É importante que haja confiança entre o médico veterinário e o tutor, por isso, não saia do consultório sem tirar todas as suas dúvidas.

Que bom! Os exames foram normais…

Isso acontece muito, para a surpresa dos tutores. Se o cão já foi examinado pelo médico veterinário, que concluiu que ele apresenta boa saúde, e os exames estão normais, então ele está apto a ser operado.

    O exame detectou alguma alteração. E agora?

Nem todas as doenças são impeditivas. Algumas podem simplesmente fazer com que o anestesista precise usar determinados medicamentos em detrimento de outros, por exemplo. O importante é que o anestesista conheça bem o estado de saúde do seu paciente, para pode escolher melhor os anestésicos e se preparar para eventuais emergências. Conforme a alteração encontrada, poderá haver ou não a necessidade de tratar o animal antes do procedimento, para estabilizá-lo e tornar a cirurgia mais segura.

Alguns problemas infelizmente acabam impedindo que o cão seja operado, visto que o risco da cirurgia acaba se tornando ainda maior do que o da própria doença que ela visa tratar – é o caso de pacientes que já estejam com a saúde muito debilitada, por um ou mais problemas, como por exemplo cardiopatias avançadas e nefropatias graves. Se for o caso do seu cão, converse com o veterinário sobre tratamentos alternativos, ou mesmo paliativos, de modo que se possa oferecer a ele pelo menos o alívio da dor ou do desconforto que esteja sentindo.

Continuo na dúvida…

Infelizmente, nem todos os casos são preto no branco. Alguns pacientes estão claramente aptos a serem operados, e outros estão claramente inaptos. O problema gira em torno do meio-termo… Não existe uma fórmula mágica para se descobrir se aquele cão, com aquela alteração específica, responderá bem ou não ao procedimento. Além disso, nunca é demais lembrar que toda cirurgia tem risco, independente da idade ou do estado de saúde do animal. A garantia de 100% de segurança num procedimento cirúrgico não existe, e isso deve ser sempre levado em conta.

De qualquer forma, se a cirurgia for mesmo importante para melhorar a saúde ou bem estar do seu cão, mas houver dúvida quanto à capacidade do organismo dele de resistir bem ao procedimento, é preciso conversar abertamente com o seu veterinário e discutir opções. Pode ser que vocês concluam que a melhor opção será a cirurgia mesmo; ou, ainda, talvez ele conheça um tratamento diferente, que ainda não foi tentado, e que possa substituir – pelo menos temporariamente – o procedimento cirúrgico.

Autora: Bárbara Gomiero

Formada em Medicina Veterinária pela UFPR em 2006, especialista em Clínica de Pequenos Animais. Apaixonada por cães, tem um amor especial pelos cães idosos, e trabalha para levar conhecimento e informação aos seus tutores, para que esses sejam capazes de proporcionar uma excelente qualidade de vida nessa fase tão delicada de seus cãezinhos.

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