Meu velhinho mudou? - Meu Cão Velhinho

Meu velhinho mudou?

À medida que os cães envelhecem, algumas alterações comportamentais são esperadas. Entenda quais são as mudanças e por que elas ocorrem:

  1. Mais vocalizações: alguns cães idosos passam a latir mais do que o normal. Isto pode acontecer por se sentirem desorientados devido à Síndrome da Disfunção Cognitiva, por estarem surdos, ou então sentindo dor. Se o seu cão passou a “falar” demais depois que ficou velhinho, leve-o ao médico veterinário para uma avaliação. Se ele não tiver nenhuma doença que precise ser tratada, pode ser um problema meramente comportamental que pode ser corrigido por meio de treinamentos.

    cão uivando - alteração de comportamento

    Imagem: Why Does.org

  2. Muito sono durante o dia: com a idade, é normal o animal querer descansar um pouquinho mais. Mas fique atento, pois o cão pode estar simplesmente se recolhendo porque sente dor, ou sentindo mais sono porque tem alguma doença que precise ser tratada – como Insuficiência Cardíaca ou Hipotireoidismo, por exemplo (veja o artigo Meu Cão Só Dorme! para mais informações).
  3. O cão acorda a noite, e ficando agitado e/ou latindo: como os velhinhos passam a dormir mais durante o dia, o seu sono noturno pode se tornar mais superficial; desta forma, eles passam a acordar com mais facilidade durante a madrugada, e a reagir a sons que antes não percebia. Ele também pode sentir mais necessidade de urinar e/ou defecar, pode acordar por dor, ou, ainda, os seus ciclos de sono/vigília podem estar afetados pela Síndrome da Disfunção Cognitiva ou outros problemas neurológicos.

  4. Ansiedade de separação e outras ansiedades em geral: alguns cães podem deixar de tolerar o toque ou a interação com estranhos, podem começar a seguir os tutores o tempo todo, e procurar mais contato físico com eles. Devido à ansiedade de separação, alguns cães podem destruir (ou tentar) pontos de entrada e saída de casa – como portas e janelas – para tentar seguir seus tutores quando estes saem, ou, ainda, podem se recusar a se alimentar na ausência do seu humano. Uma terapia comportamental pode ser benéfica.

  5. Fazer as necessidades no lugar errado: ao contrário do que alguns tutores podem pensar, este comportamento pode não ser deliberado. Além da Síndrome da Disfunção Cognitiva, que faz com que o cão as vezes “esqueça” o seu treinamento, o cão também pode sofrer com incontinência urinária e/ou fecal, ele pode ter dificuldade para se locomover até o lugar certo, ou até mesmo tumores cerebrais. Leve-o ao veterinário para tentar detectar eventuais doenças, e faça o possível para treiná-lo novamente como se fosse um filhote. Facilitar o acesso ao “banheiro” também é uma boa pedida!

  6. Destruir objetos, comer fezes ou coisas inapropriadas, e se lamber em excesso: estes comportamentos, quando aparecem subitamente num cão idoso, podem ter inúmeras explicações: o cão pode passar a “comer tudo o que vê pela frente” por conta de deficiências nutricionais, de doenças endócrinas (como a Síndrome de Cushing, por exemplo), ou mesmo por problemas psicológicos, como a Ansiedade de Separação ou a Síndrome da Disfunção Cognitiva Canina. Os problemas psicológicos também podem explicar cães que passam a se lamber excessivamente, mas este tipo de comportamento também pode estar ligado a doenças de pele.

    bulldog lambendo a pata

    Imagem: Munch Zone

  7. Medos e fobias tendem a aumentar, já que, com seus sentidos se deteriorando, o cão pode ficar mais inseguro: ele pode já ter percebido que, com frequência, apenas nota que algo ou alguém se aproxima dele quando já está perto demais, ou que está mais difícil se orientar nos ambientes por onde circula, especialmente se houver alguma mudança. Isso também pode tornar o cão mais reativo, e até mesmo mais agressivo, pois sente que precisa se defender de diversas ameaças em potencial.

  8. No outro extremo, alguns cães que antes eram agressivos podem se tornar mais dóceis, simplesmente porque não têm mais a energia para isso. Se o cão ficou sem energia por estar doente, a sua agressividade “normal” pode voltar depois que ele for devidamente tratado.

    E você, já percebeu alguma mudança no seu velhinho?

Autora: Bárbara Gomiero

Formada em Medicina Veterinária pela UFPR em 2006, especialista em Clínica de Pequenos Animais. Apaixonada por cães, tem um amor especial pelos cães idosos, e trabalha para levar conhecimento e informação aos seus tutores, para que esses sejam capazes de proporcionar uma excelente qualidade de vida nessa fase tão delicada de seus cãezinhos.

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